O que vejo
A Vincorion fornece os sistemas de energia e de estabilização que fazem funcionar o Patriot, o Leopard 2, o Puma e o PzH 2000, com qualificações que duram o ciclo de vida de plataformas de trinta a quarenta anos. O rearmamento europeu chegou-lhe às contas: a receita cresceu 42 por cento no primeiro semestre de 2026 e a carteira firme cobre mais de dois anos de vendas. A tese de partida acerta no negócio. Erra no preço. O rendimento de fluxo de caixa livre de 6,4 a 7,8 por cento que apresenta não existe, porque o crescimento está a ser financiado por um fundo de maneio de 45 por cento das vendas — o consenso aponta para 2,3 por cento em 2027. E a acção não está esquecida: seis analistas acompanham-na, com preços-alvo entre 23 e 27 euros.
O ponto de tensão é que o valor depende menos da empresa do que do sector. Ao preço actual, o mercado paga o equivalente a 10,2 vezes o EBITDA de 2030, quando os pares negoceiam hoje a 18 vezes o EBITDA dos últimos doze meses; os fluxos descontados apontam para 8,8. Todo o potencial acima do preço vem de o sector continuar a ser pago como hoje. A margem é o outro eixo: recuou 1,4 pontos no semestre com o peso do equipamento original, e três clientes com 38 por cento da receita têm poder para a manter nesse nível. O fundo de maneio, que domina o debate sobre o fluxo de caixa, quase não mexe no valor.
O resultado é um bom negócio a um preço justo, sem margem de segurança. O valor ponderado de 19,24 euros fica 11 por cento acima da cotação e a rentabilidade esperada perto do custo do capital. Nem somando todas as hipóteses favoráveis a margem de segurança chega aos 30 por cento. O potencial que falta depende de acontecimentos binários: a venda da posição da STAR a um comprador estratégico e a qualificação no Patriot de nova geração.
O calendário joga a favor da paciência. Os 47,5 por cento da STAR, livres desde meados de Setembro, equivalem a quase trezentas sessões de volume e só podem sair por colocação com desconto. Essa colocação, a informação dos nove meses em Novembro e a guidance de 2027 em Março são as janelas a vigiar: abaixo de 13,5 euros, o caso passa a ter margem.
A empresa e o modelo de negócio
A Vincorion tem sede em Wedel, perto de Hamburgo, fábricas em Essen e Altenstadt e cerca de mil trabalhadores na Alemanha e nos Estados Unidos, com competências técnicas que remontam a 1962. Foi durante anos a divisão de defesa da Jenoptik, vendida à STAR Capital em 2021-2022, e entrou em bolsa em Março de 2026. Opera em três segmentos. Vehicle Systems — estabilização de armas e torres e energia a bordo para Leopard 2, Puma, Boxer e PzH 2000 — valeu 43 por cento da receita de 2025 e 48 por cento no primeiro semestre de 2026. Power Systems — centrais eléctricas e grupos geradores para radares, lançadores e postos de comando do Patriot e do IRIS-T — valeu 30 por cento. Aviation — guinchos de salvamento, aquecimento e produtos especiais para helicópteros e aeronaves, em parte facturados em dólares — valeu 28 por cento em 2025 e 22 no semestre.
O modelo assenta em qualificações. Cada sistema é validado para uma plataforma que vive décadas, e substituir o fornecedor obriga a requalificar; o Patriot não tem segunda fonte para a central eléctrica desde a Guerra do Golfo. A empresa vende equipamento original aos fabricantes e aos compradores públicos em contratos plurianuais e contratos-quadro, e depois vive da base instalada: manutenção, sobressalentes e reparação valeram 55 por cento da receita de 2025. A rampa actual inverte o mix — o pós-venda caiu para 46 por cento no semestre — e exige fundo de maneio, com existências de 199 dias. A receita cresceu 17,8 por cento em 2025, para 240,3 milhões de euros, e 42 por cento no primeiro semestre de 2026, para 150,2 milhões; a margem EBIT ajustada foi de 18,9 por cento no semestre, 1,4 pontos abaixo do ano anterior. Antes da admissão, a empresa contraiu um empréstimo de 100 milhões e pagou 60,6 milhões ao vendedor, entre dividendo e reembolso de empréstimo do accionista.
A Vincorion desenvolve e fabrica sistemas de energia e mecatrónica para plataformas de defesa e aviação: estabilização de armas e torres e energia a bordo para Leopard 2, Puma, Boxer e PzH 2000; centrais eléctricas e grupos geradores para radares, lançadores e postos de comando do Patriot e do IRIS-T; e guinchos de salvamento, aquecimento e produtos especiais para helicópteros e aeronaves.
Vende equipamento original a fabricantes de plataformas e a compradores públicos em contratos plurianuais e contratos-quadro, com posições de fornecedor qualificado único conquistadas plataforma a plataforma ao longo de décadas. Depois vive da base instalada: manutenção, sobressalentes e reparação valeram 55 por cento da receita de 2025 e 46 por cento no primeiro semestre de 2026, com a rampa de equipamento original. A margem EBIT ajustada foi de 18,9 por cento no semestre. O crescimento consome fundo de maneio — 45 por cento das vendas, com existências de 199 dias —, pelo que a conversão do resultado em caixa é baixa durante a rampa.
| Segmento | % Receita | Tipo |
|---|---|---|
| Vehicle Systems — estabilização e energia para veículos | 43% | Misto |
| Power Systems — energia para defesa aérea | 30% | Misto |
| Aviation — guinchos, aquecimento e especiais | 28% | Misto |
- Sede
- Wedel, Alemanha
- Fundação
- 1962
- Listing
- V1NC · XETRA
- Capitalização
- EUR 869M(28 Set 2026)
- Colaboradores
- 1000
- CEO
- Kajetan von Mentzingen, presidente executivo desde Janeiro de 2026 e porta-voz da gestão desde Junho de 2024 · 2 anos
- Geografias
- Alemanha (64 por cento da receita do primeiro semestre de 2026) · Resto da Europa (19 por cento) · Estados Unidos (14 por cento, sobretudo aviação civil em dólares) · Outros (4 por cento)
- Estrutura societária
- STAR Capital com 47,5 por cento, livre para vender desde 15 de Setembro de 2026
- T. Rowe Price com 8,4 por cento e Invesco com 4,7 por cento, investidores âncora da oferta pública
- Gestão e conselho de supervisão com cerca de 8,9 por cento
- Admissão à bolsa em Março de 2026 por venda de 20,3 milhões de acções a 17,00 euros; SDAX desde Junho
- Activos principais
- Carteira de 1.205 milhões de euros, dos quais 615 milhões firmes, 2,2 vezes a receita dos últimos doze meses
- Qualificações de fornecedor único em Patriot, Leopard 2, Puma e PzH 2000
- Fábricas em Wedel, Essen e Altenstadt e distribuição em El Paso
- Base instalada que gera o pós-venda
Tese de partida
A tese de partida é da 310 Value, publicada no Substack a 23 de Setembro de 2026, com a acção a 18,48 euros, sem preço-alvo e sem posição declarada. O autor apresenta a Vincorion como o quase-monopólio por trás do rearmamento europeu: fornecedor único em cerca de 85 por cento da receita, com 55 por cento de pós-venda, receita a crescer 18 por cento em 2025 e 30 por cento em 2026, e margens em alta pela diluição de custos fixos. Sustenta que a carteira de 1,21 mil milhões dá anos de visibilidade, que as necessidades de investimento são baixas e que, sobre números de consenso, a acção rende 6,4 por cento em fluxo de caixa livre em 2027 e 7,8 em 2028 — uma empresa de mil milhões de euros que o mercado ignora. Omite o fim do período de bloqueio da STAR e a recapitalização anterior à admissão.
Tese de partida vs realidade
| Premissa | Verificação | Estado |
|---|---|---|
| Fornecedor único em cerca de 85 por cento da receita, por histórico de qualificação | Parcial. A empresa descreve-se como parceiro de fonte única em Patriot, Leopard 2, Puma e PzH 2000, e a qualificação dura o ciclo de vida das plataformas. A cifra de 85 por cento consta apenas do prospecto, de acesso condicionado, e não foi verificada | Parcial |
| Receita a crescer 18 por cento em 2025 e 30 por cento em 2026 | Confirmado. Receita de 240,3 milhões em 2025, mais 17,8 por cento; consenso de 312,7 milhões para 2026, mais 30,1 por cento, e guidance no topo do intervalo de 280 a 320 milhões | Confirma |
| Mix e volume elevam as margens pela diluição de custos fixos | Contradito no semestre. Com a receita a subir 42 por cento, a margem bruta ajustada desceu de 31,2 para 29,3 por cento e a margem EBIT ajustada de 20,3 para 18,9. O pós-venda caiu de 55 para 46 por cento da receita com a rampa de equipamento original | Contradiz |
| Carteira de 1,21 mil milhões de euros dá anos de visibilidade | Parcial. A carteira total é de 1.205 milhões, mas só 615 milhões, 51 por cento, são firmes; 416 milhões são contratos-quadro com volumes estimados e 174 milhões são projectos identificados. A carteira firme cobre 2,2 vezes a receita dos últimos doze meses | Parcial |
| Rendimento de fluxo de caixa livre de 6,4 por cento em 2027 e 7,8 em 2028 sobre consenso | Contradito. O consenso aponta para 0,55, 19,7 e 40,0 milhões de fluxo de caixa livre em 2026-2028, 0,1, 2,3 e 4,6 por cento da capitalização. O fundo de maneio está em 45 por cento das vendas e o fluxo de caixa livre do semestre foi negativo em 6,1 milhões | Contradiz |
| Empresa de cerca de mil milhões de euros, pouco acompanhada, que o mercado ignora | Contradito. Capitalização de 868,5 milhões; seis analistas com preço-alvo médio de 24,67 euros, o Deutsche Bank a iniciar cobertura com compra e a Oddo BHF a subir a recomendação em Setembro; SDAX desde Junho | Contradiz |
| A STAR mantém cerca de 48 por cento como accionista âncora | Parcial. A STAR tem 47,5 por cento, mas o período de bloqueio de 180 dias terminou a 15 de Setembro de 2026 e o mercado antecipa a venda. Antes da admissão recebeu 60,6 milhões, financiados pelo novo empréstimo de 100 milhões | Parcial |
| Fornecedor da central eléctrica do Patriot na maioria dos operadores fora dos Estados Unidos; primeiro voo do guincho do H145 em Outubro | Confirmado. Power Systems cresceu 41 por cento com o Patriot e o IRIS-T, limitado sobretudo pela capacidade do fabricante; o primeiro voo foi reagendado para 26 de Outubro de 2026, com entregas no primeiro semestre de 2027 | Confirma |
Drivers de crescimento
A projecção constrói-se por segmento sobre a carteira firme de 615 milhões e sobre a guidance: receita de 2026 no topo do intervalo de 280 a 320 milhões e crescimento acima de 15 por cento ao ano no médio prazo, com margem EBIT ajustada a caminho de cerca de 20 por cento. Power Systems cresce mais depressa, com o Patriot e o IRIS-T limitados sobretudo pela capacidade dos fabricantes; Vehicle Systems acompanha as encomendas de Leopard 2 e Puma; Aviation cresce a um dígito, com o guincho eléctrico de resgate a entrar em produção em 2027. O orçamento de defesa alemão de 2027 ronda os 109 mil milhões de euros e cresce nos anos seguintes, já sem o fundo especial.
| Segmento | Receita 2025 | Receita 2030 | Crescimento anual | Margem bruta ajustada 2030 |
|---|---|---|---|---|
| Vehicle Systems | 102,8 | 239,5 | 18,4% | 30,5% |
| Power Systems | 71,2 | 188,4 | 21,5% | 35,0% |
| Aviation | 66,3 | 99,2 | 8,4% | 23,5% |
| Grupo | 240,3 | 520,8 | 16,7% | EBIT ajustado 19,5% |
| Cenário | Receita 2027 | Receita 2030 | Receita 2035 | Margem EBIT 2030 | Margem terminal | Fundo de maneio terminal | Probabilidade |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Adverso | 329 | 370 | 409 | 14,0% | 12,5% | 42% | 25% |
| Central | 373 | 521 | 671 | 19,5% | 16,0% | 38% | 50% |
| Favorável | 393 | 597 | 821 | 21,0% | 19,0% | 32% | 25% |
Valores em milhões de euros. Depois de 2030 o crescimento abranda de 8 para 3 por cento e a margem desce para 16 por cento, entre a guidance e o meio-ciclo de 12,5 por cento. A margem pesa mais do que o volume: 2,5 pontos de margem em 2030 valem 1,8 a 2,7 euros por acção; 10 por cento de receita, 0,9 a 1,6. O fundo de maneio decide o momento do fluxo de caixa, não o valor. Preso em 45 por cento das vendas até 2035, retira apenas 3 por cento ao valor central. No cenário central o fluxo de caixa livre para o accionista é de cerca de 12 milhões em 2027 e 26 em 2028, contra 19,7 e 40,0 no consenso: a diferença está toda no fundo de maneio, com receita e resultado a menos de 6 por cento do consenso.
Avaliação
Quatro métodos contributivos e três verificações cruzadas sem peso. Os fluxos descontados com perpetuidade pesam 45 por cento; o múltiplo de saída sobre o EBITDA de 2030, 25; o EV/EBITDA dos pares sobre os últimos doze meses, 20; e o P/E de 2027 dos pares, 10. As probabilidades são de 25, 50 e 25 por cento. O custo do capital é de 8,16 por cento: Bund a dez anos de 3,63 por cento, prémio de mercado de 4,23 e beta desalavancada de 1,10, realavancada para 1,23, com custo do capital próprio de 8,82 por cento. A ponte parte de 106,5 milhões de dívida financeira líquida em Junho, incluindo locações, retira 6,0 milhões de fluxo de caixa estimado do segundo semestre e soma 13,6 milhões de pensões sem activos de plano, líquidas de imposto: 114,2 milhões no fim de 2026, 2,28 euros por acção.
Constantes em todos os métodos: custo do capital 8,2%, dívida líquida ajustada 114 milhões, 50 M de acções. Valores em milhões de euros.
| Ano | Fluxo de caixa | Desconto | Valor presente |
|---|---|---|---|
| 2027E | 17 | ÷ 1,082 | 15 |
| 2028E | 30 | ÷ 1,170 | 26 |
| 2029E | 42 | ÷ 1,265 | 33 |
| 2030E | 49 | ÷ 1,369 | 36 |
| 2031E | 52 | ÷ 1,480 | 35 |
| 2032E | 58 | ÷ 1,601 | 36 |
| 2033E | 61 | ÷ 1,732 | 35 |
| 2034E | 64 | ÷ 1,873 | 34 |
| 2035E | 65 | ÷ 2,026 | 32 |
| Soma dos fluxos descontados | 282 | ||
| Valor da empresa | 878 |
| − Dívida líquida ajustada | −114 |
| Capital próprio | 764 |
| ÷ 50 M acções | 14,95 € |
A recta dos pares entre crescimento da receita e EV/EBITDA dá 15,5 vezes a 8 por cento de crescimento, o previsto para 2031; o múltiplo fixado fica 3,4 por cento acima. O risco próprio de 0,90 reflecte a concentração em três clientes e a colocação pendente de 47,5 por cento do capital, que a beta sectorial não capta; o produto de qualidade e risco é 0,945. A distância para os fluxos descontados é de 59 por cento: estes implicam 8,8 vezes o EBITDA de 2030, o preço 10,2.
A Vincorion negoceia a 18,2 vezes, em linha com a mediana. A recta dos pares entre crescimento da receita e EV/EBITDA, com coeficiente de determinação de 0,28, dá 19,2 vezes ao crescimento de 20 por cento da Vincorion: desconto de 5 por cento. O EBITDA dos últimos doze meses é de uma empresa em rampa, não de meio-ciclo. Onze pares na regressão; dez publicados.
O rácio entre P/E e crescimento da Vincorion, 0,77, fica abaixo da mediana dos pares, 0,83. A recta dos pares entre crescimento do resultado e P/E de 2027 dá 22,7 vezes, 11 por cento acima do múltiplo actual de 20,1. Método do lado do capital próprio: o resultado já é líquido de juros e o valor não passa pela ponte.
Ao custo do capital de 8,16 por cento, com a receita central, o preço de 17,37 euros exige margem EBIT perpétua de 18,5 por cento — o nível guiado para 2026 — contra 16,0 no central e 12,5 de meio-ciclo; ou, com as margens centrais, crescimento da receita de 10,7 por cento ao ano até 2035, contra 8,6. Equivale a um múltiplo de saída de 10,2 vezes o EBITDA de 2030. Crescimento anual uniforme de 5, 8, 10, 15, 20 e 25 por cento dá 11,13, 13,74, 15,81, 22,35, 31,41 e 43,84 euros. Verificação cruzada; não contribui para a composta.
Seis analistas, média de 24,67 euros: JPMorgan 27, Berenberg 26 a 27, Deutsche Bank 26 e Oddo BHF 23. A cobertura é o sindicato da oferta pública mais o Deutsche Bank. Os alvos aproximam-se do múltiplo de saída, 27,40, e não dos fluxos descontados, 14,95: a divergência é de múltiplo, não de resultados — o consenso de receita e resultado fica a menos de 6 por cento do modelo. Verificação cruzada; não contribui para a composta.
Os eixos de rendibilidade dos capitais próprios contra P/E têm declive negativo nos onze pares — o mercado não paga rendibilidade neste sector — e o ROE de 34 por cento da Vincorion assenta em capitais próprios de 66 milhões depois da recapitalização; ficam rejeitados como âncora. Nos eixos de crescimento, EV/EBITDA igual a 13,06 mais 30,13 vezes o crescimento da receita, com coeficiente de 0,28, dá 19,2 vezes e 19,33 euros; P/E de 2027 igual a 17,92 mais 18,06 vezes o crescimento do resultado, com coeficiente de 0,17, dá 22,7 vezes e 20,23 euros. Desconto de 5 a 11 por cento face à recta, de confiança baixa. Verificação cruzada; não contribui para a composta.
| Dívida financeira líquida a 30 de Junho de 2026 — 98,9 de empréstimo bancário e 25,6 de locações, menos 18,0 de caixa | 107 M$ | |
| − | Fluxo de caixa livre estimado do segundo semestre de 2026 | 6 M$ |
| + | Pensões sem activos de plano, líquidas de imposto (13,6), e plano de incentivos liquidado em dinheiro (0,1) | 14 M$ |
| = | Dívida líquida ajustada no fim de 2026 | 114 M$ |
O valor ponderado é de 19,24 euros, 10,8 por cento acima do preço, e a rentabilidade esperada a três anos é de 12,6 por cento ao ano, com o valor a crescer ao custo do capital próprio e sem dividendo. A dispersão no cenário central é grande — de 14,95 a 27,40 euros — e tem uma causa única: o múltiplo. Os fluxos descontados implicam 8,8 vezes o EBITDA de 2030; o preço implica 10,2 vezes; os pares negoceiam hoje a 18,0 vezes os últimos doze meses. Todo o valor acima do preço vem de o sector manter o prémio até 2030. Com os múltiplos a pesar 30 por cento em vez de 55, o valor ponderado cai para 16,90 euros; só com os fluxos descontados, para 14,85. Com múltiplos do sector um terço abaixo dos actuais, o valor central desce para 13,92 euros; com a margem a regressar ao meio-ciclo, para 13,95; com as duas coisas e o fundo de maneio preso em 45 por cento, para 9,34, praticamente o cenário adverso.
A verificação no sentido contrário foi feita. Um prémio de qualidade de 1,15 em vez de 1,05 somaria 1,7 por cento ao valor esperado; probabilidades de 20, 50 e 30 por cento, pela opcionalidade do IRIS-T SLX e do Patriot de nova geração, 5,2; um prémio de controlo, pela hipótese de venda da posição da STAR a um estratégico, 6,0; uma margem terminal de 18 por cento, 2,3. Aplicadas em conjunto, levam o valor esperado a 22,61 euros, 30 por cento acima do preço, com margem de segurança de 23 por cento — ainda abaixo dos 30 exigidos a uma empresa de crescimento rápido e dos 35 exigidos com confiança moderada. Os preços-alvo das corretoras, entre 23 e 27 euros, aproximam-se do múltiplo de saída e não dos fluxos descontados.
Catalisadores
| Gatilho | Janela | Acção |
|---|---|---|
| Informação dos primeiros nove meses de 2026 | 11 de Novembro de 2026 | Caminho do fundo de maneio para o marco de 43 por cento da receita no fecho do ano e margem do terceiro trimestre contra a guidance de 18 a 19 por cento |
| Colocação da posição da STAR | Aberta desde 15 de Setembro de 2026 | Os 47,5 por cento equivalem a quase trezentas sessões de volume e só saem por colocação acelerada com desconto; a 10 por cento de desconto, a acção ficaria perto de 15,6 euros. Uma venda a um estratégico com oferta aos minoritários reabre a análise por prémio de controlo |
| Orçamento de defesa alemão de 2027 | Novembro a Dezembro de 2026 | Aprovação final de cerca de 109 mil milhões de euros; sustenta as encomendas de Leopard 2, Puma e defesa aérea de 2027-2028 |
| Contas de 2026 e guidance de 2027 | Março a Abril de 2027 | Margem EBIT ajustada guiada abaixo de 18 por cento invalida a premissa de margem; igual ou superior a 19,5 por cento, com fundo de maneio igual ou inferior a 40 por cento da receita, reforça o cenário central e reabre a análise |
| Patriot de nova geração e IRIS-T SLX | 2027 a 2028 | A qualificação dos sistemas de energia nas novas plataformas prolonga a posição de fornecedor único; uma segunda fonte retira cerca de 19 por cento ao valor central |
| Cotação | Aberta | Abaixo de 13,5 euros a margem de segurança passa 30 por cento; a 12,51 chega aos 35 exigidos, com rentabilidade esperada de cerca de 26 por cento ao ano. Não é ordem de compra |
Mapa de riscos
A margem estagna abaixo de 18 por cento em 2027 — já recuou 1,4 pontos no semestre com o peso do equipamento original, e três clientes com 38 por cento da receita têm poder negocial
Desvalorização do sector de defesa por cessar-fogo na Ucrânia ou planalto orçamental depois de 2028 — múltiplos um terço abaixo levam o valor central a 13,92 euros
Colocação da posição de 47,5 por cento da STAR com desconto, a pesar na cotação durante meses
Concentração — três clientes com 38 por cento da receita; a perda do maior retira 19 por cento ao valor central
Segunda fonte, internalização pelos fabricantes ou perda da qualificação nas plataformas de nova geração
Restrições alemãs à exportação e dependência do orçamento alemão — 64 por cento da receita vem da Alemanha
Conversão de caixa fraca — fundo de maneio de 45 por cento das vendas e existências de 199 dias; o fluxo de caixa livre do semestre foi negativo
Subida de taxas — mais 100 pontos base na taxa sem risco retiram 7 por cento ao valor central
Liquidez de posição em treze pontos em vinte — 1,5 milhões de euros de volume diário e impacto de 85 a 120 pontos base
Opinião
Síntese assistida por inteligência artificial
A leitura final é de descarte ao preço de 17,37 euros. A matriz de decisão devolve três falhas em oito critérios. A margem de segurança é de 9,7 por cento, contra 35 por cento exigidos a uma empresa de crescimento rápido com confiança moderada. A rentabilidade esperada é de 12,6 por cento ao ano a três anos e 11,1 a cinco, contra 15 exigidos. Só três de sete preços de referência externos ficam a menos de 20 por cento do valor ponderado: o preço da oferta pública, a compra de um membro do conselho de supervisão a 20,89 euros e o preço-alvo mais baixo das corretoras. Passam os ciclos, com quatro de seis favoráveis, o prazo do catalisador, a liquidez, moderada, a exposição fora de balanço, normal, e a qualidade dos resultados, verde no limite.
É um descarte de preço, não de negócio. Duas das três falhas medem a mesma coisa — o preço — em duas unidades, e a terceira falha pelo lado de cima: as corretoras vêem mais valor, não menos. A vantagem competitiva assenta em custos de mudança com durabilidade de doze a quinze anos e o valor ponderado fica acima da cotação. O que falta é margem de segurança, porque o potencial depende de como o sector for avaliado em 2030 e de acontecimentos binários.
A leitura reabre por três vias. Pelo preço: abaixo de 13,5 euros a margem de segurança passa 30 por cento, e a 12,51 chega aos 35 exigidos, com rentabilidade esperada de cerca de 26 por cento ao ano — a colocação da posição da STAR é a janela mais provável. Pelo resultado: guidance de 2027 com margem EBIT ajustada igual ou superior a 19,5 por cento e fundo de maneio igual ou inferior a 40 por cento da receita no fecho de 2026. Pela estrutura: venda da posição da STAR a um comprador estratégico com oferta aos minoritários.
A banda de valor vai de 9,42 a 29,53 euros, com valor ponderado de 19,24 e uma banda de confiança de 20 a 30 por cento que o estende de 14,43 a 24,05; o preço está dentro dela. Não há acção a tomar hoje. As datas que contam são a informação dos nove meses, a 11 de Novembro, e as contas de 2026 com a guidance de 2027, em Março de 2027.