O L1 Long Short Fund (ASX:LSF) registou um retorno líquido de 13,3% no terceiro trimestre
de 2025, contra 4,7% do índice S&P/ASX 200 Accumulation, elevando o desempenho do ano civil
para 28,7%. O trimestre foi de ganhos alargados — 19 acções contribuíram individualmente
mais de 0,5% — com destaque para CRH, NexGen Energy, Fraport, Imdex e Chorus, e para a
exposição a ouro e cobre via Westgold e Hudbay. A gestão exalta uma inclinação de valor
mais acentuada do que o habitual, com a posição longa mediana a negociar a um P/E de cerca
de 11x. Considera o índice australiano relativamente caro e identifica oportunidades
superiores em acções internacionais subvalorizadas.
Stance macro
FedDovish
A gestão descreve um pano de fundo macroeconómico em desaceleração, mas observa uma
economia norte-americana surpreendentemente resiliente. O Fed respondeu ao enfraquecimento
do emprego com um pivot dovish e um corte de 25bps em Setembro, com expectativas de mais
cortes — articulação que sustenta uma leitura de política monetária acomodatícia. Face a
múltiplos de mercado elevados, o fundo mantém uma inclinação de valor mais acentuada do
que o habitual, com a posição longa mediana a negociar a um P/E de cerca de 11x e
crescimento de EPS de dois dígitos, o que a gestão considera um perfil de retorno
apelativo a médio prazo apesar da desaceleração macro.
O ouro valorizou 17% no trimestre e 46% nos últimos doze meses — o maior ganho anual desde
1979. A gestão atribui o desempenho a uma combinação de défices orçamentais públicos
grandes e crescentes, desvalorização do dólar norte-americano, acumulação por bancos
centrais de mercados emergentes, cortes de taxas e crescentes preocupações com a
independência do Fed. A exposição a produtores de ouro de média capitalização, com
destaque para a Westgold, é uma posição de vários anos.
Acumulação por bancos centrais de mercados emergentes
O preço do cobre subiu no trimestre, sustentado por disrupções de oferta — com destaque
para a suspensão da mina de Grasberg da Freeport, responsável por 3% da oferta global — e
por um forte panorama de procura global. A gestão considera a procura de cobre apoiada por
motores de crescimento poderosos na electrificação, na IA e na defesa, enquanto a oferta
fica para trás. A exposição central é a Hudbay Minerals.
Disrupções operacionais — Grasberg, El Teniente, Kamoa-Kakula, Cobre Panamá
Procura sustentada por electrificação, IA e defesa
A carta dedica uma secção (Sector Spotlight) ao urânio. Após o declínio na construção de
reactores que se seguiu a Chernobyl, Fukushima e Three Mile Island, a gestão identifica
uma viragem de sentimento, política pública e financiamento de regresso à energia nuclear,
impulsionada pelo crescimento intensivo em energia dos data centres e da IA. Os méritos do
nuclear — fonte de base fiável, sem carbono e eficiente em uso de solo — são apontados como
convincentes, com novas gerações de reactores a poderem re-acelerar a adopção. A gestão
considera que o risco para os preços do urânio a médio prazo está significativamente
inclinado para cima.
Data centres e IA como caso de uso para novos reactores
Défice estrutural entre produção e necessidades mundiais de urânio
Acordos de hyperscalers e adopção pelos sectores público e privado
A gestão identifica o optimismo em torno da IA e a contínua escalada da despesa de
investimento como o principal tema a alimentar os retornos dos mercados. Os grandes
hyperscalers deverão investir cerca de 460 mil milhões de dólares em capex relacionado com
IA apenas em 2025 — um aumento de 55% face a 2024 e mais do dobro do valor de 2022/23. A
gestão sublinha que o debate central permanece em torno dos retornos que esta despesa irá
gerar, sobretudo porque os custos anuais tendem a ser depreciados num horizonte curto dada
a rapidez do avanço tecnológico.
Capex dos hyperscalers de 460 mil milhões de dólares em 2025
Debate por resolver sobre os retornos do investimento em IA
A política monetária norte-americana foi um foco central para os mercados de acções no
trimestre e uma razão chave para o rally. Apesar de um crescimento real do PIB de 3,8% no
segundo trimestre, verificou-se um enfraquecimento abrupto do emprego, com a criação média
de novos postos de trabalho a cair para cerca de 27 mil por mês. Essa fragilidade levou
Jerome Powell a sinalizar um pivot dovish em Jackson Hole e o Fed a cortar 25bps em
Setembro, com as expectativas medianas do FOMC a apontarem agora para mais 50bps de cortes
até ao final de 2025.
Enfraquecimento abrupto do mercado de trabalho norte-americano
Corte de 25bps em Setembro e expectativa de mais 50bps até final de 2025
A gestão considera o índice de acções australiano relativamente caro, com várias acções
de grande capitalização a negociar muito acima dos múltiplos históricos e dos pares
globais. Em contrapartida, identifica numerosas acções subvalorizadas no estrangeiro, onde
vê uma combinação mais convincente de crescimento de resultados forte, gestão alinhada com
os accionistas, balanços conservadores e suporte de valuation significativo. A carteira
apresenta uma inclinação de valor mais acentuada do que o habitual.
Grandes capitalizações australianas acima dos múltiplos históricos e pares globais
Oportunidades offshore com melhor combinação de crescimento e valuation
Posição que recuperou com força no trimestre após penalizar o desempenho em períodos
anteriores. A subida dos preços do lítio a partir de mínimos plurianuais e a conclusão das
obras na estrada do projecto Onslow Iron — removendo o último estrangulamento para operar
à capacidade máxima — sustentaram a recuperação. Uma emissão de obrigações reforçou a
liquidez. A gestão antevê melhoria material em cada segmento e considera o risco-retorno
ainda apelativo.
Produtor de ouro de média capitalização que valorizou fortemente com a subida de 17% do
preço do ouro no trimestre. A gestão mantém uma visão positiva sobre o metal, sustentada
por défices orçamentais crescentes, desvalorização do dólar, acumulação por bancos
centrais de mercados emergentes e cortes de taxas. A perspectiva a três anos aponta para
crescimento da produção de cerca de 325 koz em FY25 para perto de 470 koz em FY28.
Investimento iniciado em 2021, com o fundo a manter-se accionista de referência. A tese
assenta no projecto Rook I — tier one em escala e qualidade, com custos no fundo da curva
e payback de 1,2 anos a 80 USD/lb, abaixo do spot. A produção permanece largamente não
contratada, preservando exposição à subida do preço do urânio. O depósito Patterson
Corridor East acrescenta opcionalidade. A aprovação federal final é esperada para o
primeiro semestre de 2026.
Mineira de média dimensão centrada no cobre, com ouro e zinco como subprodutos e activos
no Canadá, Arizona e Peru. As acções subiram com a alta do cobre, amplificada pela
suspensão da mina de Grasberg. O investimento estratégico de 600 milhões de dólares da
Mitsubishi no projecto Copper World, no Arizona, reduziu a contribuição de capital própria
da Hudbay para cerca de 200 milhões, implicando uma TIR robusta. A gestão valoriza a
geração de fluxos de caixa.
Fornecedor de tecnologia para a indústria mineira que registou um desempenho sólido,
sinalizando um forte quarto trimestre de FY25 e sentimento positivo para FY26. A captação
de capital por mineiras júnior — indicador avançado da despesa em exploração — atingiu o
nível mais elevado desde 2021, criando um vento favorável. A empresa continua a ganhar
quota de mercado e a manter margens resilientes, com expansão de margem e penetração
digital como motores adicionais.
Empresa de materiais de construção cujas acções valorizaram após resultados sólidos no
segundo trimestre e a revisão em alta da orientação anual de EBITDA. A empresa compensou
condições meteorológicas adversas e um mercado residencial norte-americano contido. A
despesa em infraestruturas nos EUA mantém-se robusta e pouco afectada pela mudança de
administração, com menos de 40% do programa IIJA já desembolsado. Está ainda exposta a uma
eventual recuperação da actividade residencial nos EUA e na Europa.
Operador aeroportuário alemão cujas acções subiram com resultados em linha e uma
actualização positiva sobre a construção do terminal T3 em Frankfurt, com abertura
confirmada para Abril de 2026. A gestão deu a indicação mais forte até agora de regresso
ao pagamento de dividendos a partir de Maio do próximo ano — o primeiro desde a pandemia.
Com os terminais de Lima e da Turquia operacionais e o T3 quase concluído, a empresa
aproxima-se de um ponto de inflexão.
Operador de infraestrutura digital regulada na Nova Zelândia, detido desde o primeiro dia
do fundo, em 2014. As acções beneficiaram de eventos incrementais positivos: um resultado
de FY25 em linha, uma orientação de dividendo para FY26 de 60 cêntimos por acção acima das
expectativas, e aumentos de velocidade e de preços. Apesar de uma valorização superior a
500% desde o investimento inicial, o título ainda oferece um dividend yield próximo de 7%.
Principal detractor do trimestre. As acções caíram depois de o consórcio ADNOC-Carlyle ter
retirado formalmente a sua proposta indicativa de aquisição — que representava um prémio de
28% — por desacordo sobre vários termos comerciais, incluindo a repartição de riscos
regulatórios e fiscais. A gestão mantém a tese autónoma: o projecto Barossa está concluído
e o Pikka mais de 91% concluído, com primeiro petróleo antecipado para o primeiro trimestre
de 2026, marcando um ponto de inflexão.
Posição de longa data alienada no início de Setembro, antes da queda recente das acções. A
Flutter foi um forte contribuidor para os retornos do fundo nos últimos anos. A gestão
continua a vê-la como operador de excelência no mercado norte-americano de apostas
desportivas, mas a ausência de regulação em torno de mercados de previsão como a Kalshi e a
Polymarket gerou incerteza significativa para o sector regulado.
Citações
The Fund also benefitted from our exposure to Gold and Copper as rising commodity prices supported robust gains to our positions in the sector including WestGold and Hudbay.
"O fundo beneficiou ainda da exposição a ouro e cobre, com a subida dos preços das
matérias-primas a sustentar ganhos robustos nas posições do sector, incluindo a WestGold e
a Hudbay."
Overall, the portfolio remains weighted towards high quality, lower P/E stocks and solid earnings growth prospects. We have a stronger than usual Value skew at present, with our median long position having a P/E of 11x and double-digit EPS growth, providing a compelling medium-term return profile in spite of a slowing macroeconomic backdrop.
"No conjunto, o portfólio mantém-se inclinado para acções de elevada qualidade, com P/E
mais baixo e perspectivas sólidas de crescimento de resultados. Temos actualmente uma
inclinação de valor mais acentuada do que o habitual, com a posição longa mediana a
apresentar um P/E de 11x e crescimento de EPS de dois dígitos, o que proporciona um perfil
de retorno apelativo a médio prazo apesar de um pano de fundo macroeconómico em
desaceleração."
We believe the Australian equity index is relatively fully valued, with several large cap stocks trading far above historical multiples and global peers.
"Acreditamos que o índice de acções australiano está relativamente caro, com várias acções
de grande capitalização a negociar muito acima dos múltiplos históricos e dos pares
globais."
As articulated above, we believe the risk skew on uranium prices in the medium term is significantly to the upside.
"Como articulámos acima, acreditamos que o enviesamento de risco para os preços do urânio
a médio prazo está significativamente inclinado para cima."
Gold's significant outperformance continues to be driven by a potential combination of large and growing public fiscal deficits, a devaluation of the U.S. dollar, emerging market central bank accumulation and now a global rate cutting cycle.
"O desempenho superior significativo do ouro continua a ser impulsionado por uma
combinação potencial de défices orçamentais públicos grandes e crescentes, uma
desvalorização do dólar norte-americano, a acumulação por bancos centrais de mercados
emergentes e, agora, um ciclo global de cortes de taxas."
We continued to rotate the portfolio by trimming and exiting positions that have come close to our view of fair value and adding new positions where we see a compelling combination of strong earnings growth, shareholder friendly management, conservative balance sheets and significant valuation support.
"Continuámos a rodar o portfólio, reduzindo e saindo de posições que se aproximaram da
nossa visão de valor justo e adicionando novas posições onde vemos uma combinação
convincente de crescimento de resultados forte, gestão alinhada com os accionistas,
balanços conservadores e suporte de valuation significativo."
The key debate remains what potential returns this spend will drive, particularly as these annual costs are likely to be depreciated over a short timeframe given the rapidly advancing technology.
"O debate central permanece em torno dos potenciais retornos que esta despesa irá gerar,
sobretudo porque estes custos anuais tendem a ser depreciados num horizonte curto, dada a
rapidez do avanço tecnológico."
While copper supply lags, copper demand remains underpinned by powerful growth drivers in electrification, A.I. and defence.
"Enquanto a oferta de cobre fica para trás, a procura de cobre mantém-se sustentada por
motores de crescimento poderosos na electrificação, na IA e na defesa."
Performance
Retornos
T3 2025 (Net, AUD)
+13,30%
YTD
+28,70%
Desde início
+12,50%
Base
net
CAGR desde inception
+12,50%
Benchmark
S&P/ASX 200 Accumulation Index
Período
+4,70%
YTD
+11,50%
Track record anual
Período
Fundo
Benchmark
2014
+5,10%
—
2015
+60,50%
—
2016
+29,60%
—
2017
+31,40%
—
2018
-27,70%
—
2019
+25,50%
—
2020
+29,50%
—
2021
+30,30%
—
2022
+10,70%
—
2023
+6,20%
—
2024
+2,00%
—
2025
+28,70%
—
Contribuidores
Top contributors:CRH, NexGen Energy, Fraport, Imdex, Chorus, Westgold, Hudbay Minerals, Mineral Resources
Top detractors:Santos
Attribution
O portfólio teve um desempenho forte no trimestre, com um conjunto alargado de
contribuidores significativos — 19 acções contribuíram individualmente mais de 0,5% para
os retornos globais. Destacaram-se CRH, NexGen Energy, Fraport, Imdex e Chorus. O fundo
beneficiou ainda da exposição a ouro e cobre, com ganhos robustos em Westgold e Hudbay à
boleia da subida dos preços das matérias-primas. Várias posições que tinham penalizado o
desempenho recuperaram com força, com destaque para a Mineral Resources. O principal
detractor foi a Santos, cujas acções caíram após a retirada da proposta de aquisição do
consórcio ADNOC-Carlyle.
Portfólio
Foreign exposure
30,0%
Gross long
172,0%
Gross short
79,0%
Net exposure
93,0%
Position count long
60
Position count short
16
Sector tilts
Materiais · overweight (significant) — Ouro mid-cap, cobre e urânio identificados como das melhores oportunidades globais; exposição construída ao longo de vários anos via Westgold, Hudbay, NexGen Energy e Mineral Resources
Industriais · overweight (modest) — Infraestruturas e viagens (travel) apontadas como áreas de oportunidade atractiva — Fraport (aeroportos) e Imdex (tecnologia mineira)