Headwaters Capital Management

Q1 2025 · 2900 palavras · 8 Abr 2025 · Full letter

Resumo editorial

A Headwaters Capital, gerida por Christopher Godfrey, caiu -9,2% líquido no primeiro trimestre de 2025, contra -3,4% do Russell Mid Cap Index — penalizada pelo viés de menor capitalização da carteira num trimestre de fuga para as large caps. Escrita uma semana após o «Liberation Day», a carta centra-se no choque tarifário: Godfrey, economista de formação, confessa não compreender uma guerra comercial contra todos os parceiros, mas argumenta com factos — Russell 2000 em bear market (-25%), P/E forward de 13,4x e sentimento perto do pessimismo máximo — que o risco/retorno começa a inclinar-se a favor de quem alarga o horizonte. Reduziu a Brown & Brown, manteve a Transcat e iniciou posição na CBIZ, com potencial de +72%.

Stance macro

Risk Risk-on

Postura contrária e construtiva no meio do choque tarifário. Godfrey reconhece que ninguém sabe como a guerra comercial acaba, mas insiste em remover a emoção e usar factos: o Russell 2000 já caiu -25%, o múltiplo forward de 13,4x só foi inferior na crise financeira e em 2022, o VIX fechou em 47 e o rácio bull/bear está em extremos de pessimismo. Para horizontes longos, considera que o risco/retorno começa a inclinar-se para o lado positivo e que a resposta correcta é alargar o horizonte de investimento, mantendo exposição e reforçando posições de qualidade quando surgem oportunidades.

Temas

Economista de formação, Godfrey confessa que esta guerra comercial lhe é difícil de compreender: a vantagem comparativa é Econ 101 e tarifas contra todos os parceiros comerciais dos EUA parecem-lhe extremas — exemplifica com Madagáscar, exportador de baunilha de baixo rendimento agora sujeito a tarifas de 47%. Cita Howard Marks («a Itália deve fazer a massa e a Suíça os relógios») e admite que nunca imaginou chegar a este ponto, pelo que não consegue prever o desfecho. A resposta é processual: remover emoção, focar-se em factos e tomar decisões de alta probabilidade.

  • Tarifas universais vs tarifas dirigidas a indústrias ou países específicos
  • Madagáscar sujeito a tarifas de 47% apesar do défice comercial dos EUA

Desde Novembro, o Russell 2000 caiu -25%, o nono sell-off superior a 25% desde a criação do índice em 1984. O múltiplo forward de 13,4x (a 4/4/25) só foi inferior na crise financeira e em meados de 2022, quando o índice tocou 11x. Godfrey contrapõe ao argumento «as estimativas têm de cair» que o mercado é prospectivo e já está a descontar esses cortes — talvez esteja a transacionar a 18x resultados de mínimo. Um regresso a 11x representaria -18% de queda adicional; a recuperação histórica para máximos em 1-2 anos equivaleria a +34% desde 4/4/25.

  • P/E forward do Russell 2000 em 13,4x a 4/4/25
  • Cenário de queda até 11x = -18%; recuperação histórica em 1-2 anos = +34%

Godfrey enquadra a queda com história: o Russell 2000 sofre um drawdown superior a -10% quase todos os anos e ainda assim compôs +7% anualizado desde a inception. Cada um dos oito sell-offs anteriores superiores a 25% foi aterrador no momento — com quedas dramáticas de resultados — e todos foram seguidos de novos máximos históricos. Os indicadores tácticos (VIX em 47, só excedido na LTCM, na crise financeira e na COVID; rácio bull/bear da AAII em extremos) sinalizam pessimismo máximo. A conclusão é disciplinar: alargar o horizonte aumenta a probabilidade de retornos positivos.

  • Mercados recuperaram máximos históricos após todos os bear markets anteriores
  • Sentimento AAII bull/bear em extremos historicamente associados a bons pontos de entrada

A volatilidade e a venda indiscriminada já permitiram melhorar a qualidade da carteira: reforçar posições com valorizações atractivas e, simultaneamente, realizar perdas fiscais noutras — mantendo a exposição ao mercado, posicionando a carteira para a recuperação e minimizando a carga fiscal. A rotação da Brown & Brown (beneficiária do trade defensivo, em múltiplo de pico) para a CBIZ (apanhada temporariamente no sell-off das small caps) é o exemplo concreto desta reciclagem de capital articulada na carta.

  • Reforço de posições atractivas financiado por realização de perdas fiscais
  • Rotação de BRO (múltiplo de pico) para CBIZ (deslocação temporária)

Posições

BRO bearish conv. média reduzir
Brown & Brown
Stalwart

A Brown & Brown foi o top contributor do trimestre (+22%), exemplo perfeito da rotação do T1: resultados em linha, mas o múltiplo expandiu de 18x para 21x EBITDA com os investidores a tratar a corretagem de seguros P&C como porto seguro. Core holding desde o lançamento (+170%, TIR de 26%), Godfrey reduziu significativamente a posição — múltiplo de pico sobre preços P&C perto do pico — para financiar a CBIZ.

core holding desde o lançamento da estratégia; +170% de ganho, TIR de 26%

TRNS neutral conv. média manter
Transcat
Stalwart

A Transcat foi o top detractor (-30%) após resultados desapontantes da aquisição Nexa de 2021, cujo negócio de consultoria por projecto caiu materialmente. O núcleo de calibração — serviços regulados, recorrentes e obrigatórios — continua a executar bem e a gestão parece ter isolado o problema. Com a natureza crítica dos serviços, a tendência de outsourcing e amplas oportunidades de M&A, Godfrey mantém a tese de longo prazo.

CBZ bullish conv. core nova posição
CBIZ
Stalwart

A CBIZ presta serviços de contabilidade, impostos e consultoria a pequenas e médias empresas — essenciais em qualquer ambiente económico, com retenção elevada e visibilidade de receitas. Godfrey vê paralelos com a BRO de há quatro anos e aproveitou a queda para níveis de Julho de 2019: um relatório fraco sobre a receita da Marcum, agravado pela fraqueza do mercado. Alvo de $114 (14x EBITDA, estimativas de 2027), +72% de potencial.

When looking at CBZ, I see a lot of similarities to BRO 4 years ago.

ao olhar para a CBZ, vejo muitas semelhanças com a BRO de há 4 anos

comprada no T1 2025, em queda exacerbada pelo sell-off do mercado · Target: Preço-alvo de $114 sobre estimativas de 2027, assumindo recuperação do múltiplo para 14x EBITDA — +72% face ao preço de compra, ou TIR de +22%

Citações

One week into Q2 and somehow the Q1 performance discussion feels completely irrelevant.

"Uma semana depois de entrarmos no T2 e, de alguma forma, a discussão do desempenho do T1 parece completamente irrelevante."

Headwaters Capital Management · Q1 2025

As an economics major, this trade war is hard for me to comprehend.

"Sendo licenciado em Economia, esta guerra comercial é-me difícil de compreender."

Headwaters Capital Management · Q1 2025

Sitting here today, I’m not going to tell you that we don’t re-visit the 11x P/E multiple. If we go forward with these tariffs, it almost seems certain that we will. Nobody knows how this ends.

"Sentado aqui hoje, não vos vou dizer que não revisitamos o múltiplo P/E de 11x. Se avançarmos com estas tarifas, parece quase certo que sim. Ninguém sabe como isto acaba."

Headwaters Capital Management · Q1 2025

If you have a longer investment horizon and can stomach some short-term volatility, the risk reward is beginning to skew positive.

"Se tiver um horizonte de investimento mais longo e conseguir suportar alguma volatilidade de curto prazo, o risco/retorno está a começar a inclinar-se para o lado positivo."

Headwaters Capital Management · Q1 2025

When looking at CBZ, I see a lot of similarities to BRO 4 years ago.

"Ao olhar para a CBZ, vejo muitas semelhanças com a BRO de há 4 anos."

Headwaters Capital Management · Q1 2025

Performance

Retornos

T1 2025 (líquido de fees)
-9,20%
YTD
-9,20%
Desde início
+22,50%
Base
net

Benchmark

Russell Mid Cap Index

Período
-3,40%
YTD
-3,40%

Track record anual

Período Fundo Benchmark
2021 +17,10% +22,60%
2022 -23,40% -17,30%
2023 +33,00% +17,20%
2024 +13,10% +15,30%
acumulado desde a inception (Janeiro 2021) +22,50% +32,30%

Contribuidores

Top contributors: BRO
Top detractors: TRNS

Attribution

O desempenho relativo foi dominado pelo viés de capitalização: as capitalizações média ($8,6 mil milhões) e mediana ($4,8 mil milhões) da carteira são muito inferiores às do Russell Mid Cap ($29,6 mil milhões de média), num trimestre em que os investidores procuraram segurança nas maiores empresas — dentro do próprio índice, o quintil de maior capitalização caiu -2% contra -9% do quintil mais pequeno. O top contributor foi a Brown & Brown (+22%), beneficiária de expansão de múltiplo como porto seguro; o top detractor foi a Transcat (-30%), após resultados fracos da aquisição Nexa.