LVS Advisory

Q1 2026 · 2239 palavras · 24 Mai 2026 · Full letter

Resumo editorial

A LVS Advisory reporta os primeiros quatro meses de 2026: o Event-Driven rendeu 4,0% líquido, a versão alavancada estreou com 5,7% e o Growth ficou por 1,1%. Luis V. Sanchez organiza a carta em duas teses. A primeira é que o Event-Driven protegeu o capital em todas as quedas desde 2019, sofrendo menos de um terço da queda máxima do S&P 500. A segunda é que a mania da inteligência artificial não repete a bolha das dotcom, porque há receita real, escassez aguda de capacidade e balanços sólidos a financiar o capex. Um estudo próprio devolve 25x resultado operacional projectado para 2026 nos semicondutores, a comprimir para 14,8x em 2029. No Growth, reduziu geração eléctrica e grandes tecnológicas e reforçou construção e semicondutores.

Stance macro

Risk Risk-on

Sanchez assume postura construtiva sobre o mercado accionista dos EUA: considera que a inteligência artificial gera ganhos reais de produtividade, que a procura excede largamente a capacidade instalada e que as valorizações dos semicondutores, embora exigentes em bolsos específicos, assentam nos fundamentos. Enumera as vulnerabilidades — contestação política à construção de centros de dados, dependência de operadores ainda deficitários como a OpenAI e choques macroeconómicos — sem que estas alterem a conclusão. Não articula visão sobre a Reserva Federal nem sobre a posição no ciclo.

Temas

Sanchez sustenta que a procura por capacidade de IA excede largamente a oferta disponível — faltam semicondutores, centros de dados e electricidade, ao ponto de a escassez de memória e de energia estar a encarecer os preços para todos. Contrapõe este quadro ao da bolha das dotcom, cuja infra-estrutura ficou por utilizar, e nota que o investimento actual é financiado por empresas com balanços sólidos que deverão gastar mais de um bilião de dólares em 2027.

  • Escassez transversal de semicondutores, centros de dados e electricidade
  • Capex financiado por balanços sólidos, não por capital especulativo
  • Beneficiários fora dos semicondutores — nuvem, energia, construção e componentes industriais

A casa compilou dados históricos e projectados por subsector e concluiu que a indústria transacciona a 25x resultado operacional projectado para 2026, comprimindo para cerca de 15x em 2029 com o crescimento estimado. Sanchez classifica o conjunto entre justo e moderadamente sobrevalorizado e sublinha a disciplina dos orçamentos de capex, cujo descontrolo seria o caminho para excesso de capacidade, quebra de preços e erosão de margem.

  • Múltiplo agregado de 25,0x em 2026E a comprimir para 14,8x em 2029E
  • Memória como único subsector com CAGR de resultado operacional negativo
  • Disciplina de capex como travão ao risco de excesso de capacidade

Sanchez inventaria as ferramentas que a casa paga e usa — gravação e resumo de reuniões, síntese documental, recolha agentiva de dados económicos, construção de software próprio de gestão de carteira e apoio à investigação qualitativa. Conclui que estas não tornam o trabalho mais fácil, mas permitem maior profundidade e mais cobertura, e que as empresas que não as adoptarem perderão competitividade.

  • Adopção interna paga e transversal ao processo de investimento
  • Ganho de produtividade lido como profundidade, não como corte de pessoal
  • Receita já material na camada aplicacional, ao contrário do ciclo dotcom

Sanchez reconhece a semelhança óptica — as acções ligadas a IA pesam perto de metade do índice e explicaram cerca de metade do retorno de 2025, com os dois maiores fundos cotados de semicondutores a subirem mais de 50% em 2026. Recusa, porém, a leitura de bolha, apoiado em três diferenças face a 1999: receita já existente, infra-estrutura escassa em vez de sobrante e financiamento por empresas geradoras de caixa.

  • Acções de IA perto de metade do peso e do retorno do índice
  • Fundos cotados de semicondutores acima de 50% em 2026
  • Três diferenças estruturais face ao ciclo de 1999

A estratégia foi desenhada para não perder dinheiro e Sanchez mede-a pela queda máxima: nas três grandes quedas do S&P 500 desde 2019 o Event-Driven sofreu menos de um terço da volatilidade descendente, e em 2026 limitou-se a 0,2% contra 8,9% do índice. Atribui o resultado a três disciplinas — carteira de 25 a 50 posições, ponderação ajustada ao risco de cada situação e acompanhamento activo das posições.

  • Retornos com perfil obrigacionista e sem correlação com o ciclo macroeconómico
  • Superioridade declarada face ao índice de obrigações high-yield em retorno e em risco
  • Versão alavancada assume mais volatilidade em troca de retorno superior

Posições

Power Generation bearish conv. core reduzir
Cyclical

Exposição a geração eléctrica detida como via de participação no investimento em infra-estrutura de IA, na sequência do basket de power trabalhado nas cartas anteriores. Sanchez reduziu o peso durante o reequilíbrio de 2026 a favor de construção e semicondutores, mas mantém a carteira significativamente sobreponderada neste bloco face ao S&P 500. A procura de electricidade dos centros de dados continua a ser o motor declarado da tese.

detido em 2025

Big Tech bearish conv. média reduzir

Bloco de grandes plataformas tecnológicas, beneficiárias da procura por computação em nuvem gerada pelo ciclo de IA. Sanchez reduziu a exposição durante o reequilíbrio de 2026 e mantém a carteira abaixo dos cerca de 20% que estas empresas pesam no S&P 500, preferindo captar o mesmo tema por geração eléctrica e construção, onde considera as valorizações mais razoáveis.

detido em 2025

Construction bullish conv. core aumentar
Cyclical

Empresas de construção ligadas directa e indirectamente a projectos de centros de dados. Sanchez reforçou o bloco no reequilíbrio de 2026 e coloca-o entre as duas sobreponderações declaradas da carteira. Trata-se da via preferida para captar o investimento em IA fora dos semicondutores, num conjunto cujos múltiplos de valorização considera genericamente muito razoáveis, ainda que as cotações caiam se a procura de IA abrandar.

Semiconductors bullish conv. média aumentar
Cyclical

Bloco reforçado no reequilíbrio de 2026, depois do estudo sectorial que a casa conduziu sobre valorização e crescimento por subsector. Sanchez conclui que os 25x resultado operacional projectado para 2026 não gritam bolha, sobretudo por comprimirem para cerca de 15x em 2029, e que a disciplina de capex reduz o risco de excesso de capacidade. A carteira permanece significativamente abaixo do peso do índice.

Citações

In practice, this means that our portfolio often moves to the beat of its own rhythm.

"Na prática, isto significa que a nossa carteira se move muitas vezes ao ritmo próprio."

LVS Advisory · Q1 2026

we actively monitor the holdings and rigorously pick the weeds and water the flowers

"acompanhamos activamente as posições e arrancamos com rigor as ervas daninhas e regamos as flores"

LVS Advisory · Q1 2026

Despite a major oil shock caused by conflict in the Middle East, the dominant factor moving the stock market has been the ongoing AI boom.

"Apesar de um grande choque petrolífero provocado pelo conflito no Médio Oriente, o factor dominante a mover o mercado accionista tem sido o crescimento acelerado da IA."

LVS Advisory · Q1 2026

The AI tools are not making our jobs easier; they are allowing us to get deeper into each company and cover more ground.

"As ferramentas de IA não estão a tornar o nosso trabalho mais fácil; estão a permitir-nos aprofundar mais cada empresa e cobrir mais terreno."

LVS Advisory · Q1 2026

There are pockets of high valuation among the semiconductor stocks, but valuations appear grounded in the fundamentals.

"Há bolsas de valorização elevada entre as acções de semicondutores, mas as valorizações parecem assentes nos fundamentos."

LVS Advisory · Q1 2026

We reduced our exposure to Power Generation and Big Tech and added to our exposure to Construction and Semiconductors.

"Reduzimos a nossa exposição a geração eléctrica e a grandes tecnológicas e reforçámos a exposição a construção e semicondutores."

LVS Advisory · Q1 2026

Performance

Retornos

YTD
+1,10%
Desde início
+89,60%
Base
net

Benchmark

S&P 500

Benchmarks alternativos

  • LVS Event-Driven (portefólio próprio) (YTD +4,00%) — Outra estratégia da casa — retorno absoluto focado em preservação de capital
  • LVS Levered Event-Driven (portefólio próprio) (YTD +5,70%) — Versão alavancada do Event-Driven, incepcionada a 1 de Janeiro de 2026 e disponível via contas geridas separadamente

Track record anual

Período Fundo Benchmark
2020 — Growth (líquido) +61,90% —
2021 — Growth (líquido) +16,10% —
2022 — Growth (líquido) -35,80% —
2023 — Growth (líquido) +7,00% —
2024 — Growth (líquido) +36,70% —
2025 — Growth (líquido) +6,20% —
2026 acumulado até 30 de Abril — Growth (líquido) +1,10% —

Performance relativa

Os resultados divulgados cobrem os primeiros quatro meses de 2026, com data de referência de 30 de Abril, e não o trimestre civil. O S&P 500 recuou 9% no primeiro trimestre; no mesmo intervalo a queda máxima diária do Event-Driven foi de 0,2% e a da versão alavancada de 1,5%. Sanchez lê o episódio como confirmação de que o portefólio se move ao seu próprio ritmo, sem correlação com os factores macroeconómicos que movem o índice.

Portfólio

Cash
4,0%

Sector tilts

  • Tecnologia · underweight (significant) — Semicondutores representam cerca de 18% do S&P 500 e a carteira está significativamente abaixo desse peso, apesar do reforço feito em 2026
  • Transversal · underweight — Grandes tecnológicas pesam cerca de 20% do S&P 500 e a exposição da carteira foi reduzida durante 2026
  • Utilities · overweight (significant) — Geração eléctrica mantém-se significativamente sobreponderada face ao índice mesmo depois de reduzida
  • Industriais · overweight (significant) — Construção significativamente sobreponderada como via alternativa de exposição ao investimento em infra-estrutura de IA