Blue Tower Asset Management, LLC

Q1 2026 · 1956 palavras · 11 Abr 2026 · Full letter

Resumo editorial

O Blue Tower Asset Management, gerido por Andrew Oskoui, ganhou 1,62% líquido no primeiro trimestre de 2026, um trimestre dominado pela guerra do Golfo e pelo encerramento do Estreito de Ormuz. Oskoui dedica quase toda a carta à tese de que o consenso subestima a amplitude e a duração da disrupção nas matérias-primas — petróleo, GNL, fertilizantes, polímeros, hélio, enxofre e alumínio — e sustenta que a reparação das infra-estruturas energéticas do Golfo levará anos, não meses. Em Março vendeu Air Canada, Core Molding e TFI International, reduziu a exposição japonesa e parte da Georgia Capital, e abriu Petrobras e SM Energy — a primeira incursão da casa em exploração e produção de petróleo e gás.

Stance macro

Oskoui não articula posicionamento macro tradicional (risco, Fed, ciclo, dólar) no primeiro trimestre de 2026. O eixo dominante é geopolítico: o encerramento do Estreito de Ormuz retirou perto de 20% da oferta mundial de petróleo e cerca de 20% dos fluxos de GNL, com propagação a fertilizantes, polímeros, metanol, hélio, enxofre e alumínio. Oskoui invoca o viés de normalidade para explicar por que razão o mercado trata a disrupção como breve, e contrapõe que a reparação das infra-estruturas — 17% da capacidade de GNL do Qatar inutilizada durante três a cinco anos — impõe um horizonte de anos. A leitura de longo prazo é construtiva: choques de preço aceleram eficiência energética, renováveis e nova oferta em novas geografias.

Temas

O eixo central da carta. Oskoui descreve o encerramento do Estreito de Ormuz como a maior disrupção de oferta da história do mercado petrolífero mundial segundo a Agência Internacional de Energia, retirando perto de 20% da oferta mundial de petróleo (80% da qual destinada à Ásia) e cerca de 20% dos fluxos mundiais de GNL, sobretudo do Qatar. A leitura é explicitamente mais ampla do que o crude: um terço do comércio mundial de fertilizantes, 85% das exportações de polietileno do Médio Oriente, um terço do metanol marítimo, um terço do hélio mundial, 45% do enxofre e 9% do alumínio primário passam ou são produzidos na região. A comparação escolhida é o embargo árabe de 1973, com a nota de que a disrupção actual é maior e não se limita ao petróleo.

  • tráfego de petroleiros no Ormuz caiu cerca de 70% antes de chegar a praticamente zero
  • GNL mais difícil de redireccionar do que o crude e com produção mais concentrada
  • armazenamento europeu de gás a 30% da capacidade e TTF acima de 60 euros/MWh
  • ureia em Nova Orleães de 475 para 680 dólares por tonelada na janela de sementeira
  • hélio do Qatar (um terço da oferta mundial) crítico para o fabrico de semicondutores

Oskoui enquadra a oportunidade como erro de duração, não de direcção. O mercado, na sua leitura, está a descontar disrupções breves quando a reconstrução das infra-estruturas do Golfo se mede em anos — duas das catorze unidades de GNL do Qatar e uma das duas instalações de gas-to-liquids ficam fora de serviço três a cinco anos, o equivalente a 17% da capacidade exportadora qatari. Acrescenta uma leitura política: a estratégia iraniana de escalada horizontal favorece um conflito episódico e prolongado, e Teerão exige uma nova arquitectura de segurança no Golfo que Washington e Israel não concedem. O erro de avaliação é atribuído ao viés de normalidade e é apresentado como o espaço em que investidores focados em fundamentais são remunerados.

  • viés de normalidade como explicação comportamental do erro de duração
  • cessar-fogo frágil e escalada horizontal iraniana como cenário base
  • regime iraniano sucedeu Khamenei por via constitucional e manteve instituições intactas

A conclusão operacional da tese de matérias-primas. Oskoui antecipa que preços elevados empurrem produção química, exploração energética e infra-estrutura de GNL para novas geografias, acabando por baixar os próprios preços — "the cure to high prices is high prices". A tradução em carteira é a primeira incursão da casa em acções de exploração e produção de petróleo e gás, um segmento que a gestora historicamente evita por preferir barreiras à entrada, maior qualidade dos lucros e menores necessidades de investimento de manutenção.

  • abertura de Petrobras e SM Energy como contrapeso de risco na carteira Global Value
  • excepção assumida ao critério habitual de barreiras à entrada e qualidade dos lucros

Oskoui lê o choque pela lente de 1973: a maior redução do peso dos combustíveis fósseis na economia veio na década seguinte ao embargo árabe, não na década seguinte ao Acordo de Paris, porque a segurança nacional e económica motiva políticas com mais força do que o argumento ambiental. Daí espera crescimento de solar e eólica enquanto fontes domésticas imunes ao risco geopolítico dos estrangulamentos marítimos, com aumento necessário de armazenamento em baterias na rede. Cita renováveis em 49,4% da capacidade energética mundial, acima de 46,3% em 2024, e mais de 90% dos novos projectos renováveis já mais baratos do que as alternativas fósseis.

  • renováveis em 49,4% da capacidade mundial, acima de 46,3% em 2024
  • segurança energética como motivação política mais forte do que a ambiental
  • necessidade acrescida de armazenamento em baterias na rede

Posições

PBR bullish conv. média nova posição
Petrobras
Cyclical

Petrolífera integrada brasileira aberta em Março como resposta directa ao choque de oferta do Golfo. Oskoui reconhece que se afasta do critério habitual — barreiras à entrada, qualidade dos lucros e baixo investimento de manutenção — e justifica a excepção pelas forças idiossincráticas das duas empresas e pelos preços correntes. A função na carteira é dupla: exposição directa ao petróleo num cenário de disrupção prolongada e contrapeso às restantes exposições de risco da estratégia Global Value.

"We added two new companies to the portfolio, Petróleo Brasileiro, better known as Petrobras, (PBR) and SM Energy (SM)"

"Adicionámos duas novas empresas à carteira, a Petróleo Brasileiro, mais conhecida como Petrobras, (PBR) e a SM Energy (SM)"

SM bullish conv. média nova posição
SM Energy
Cyclical

Produtora norte-americana de petróleo e gás aberta em Março, em conjunto com a Petrobras. Oskoui explicita que a casa não costuma investir neste tipo de acções de matérias-primas por preferir empresas com barreiras à entrada sólidas, maior qualidade dos lucros e menores necessidades de investimento de manutenção. A tese assenta nas forças idiossincráticas da empresa, nos preços correntes e no papel de equilíbrio das exposições de risco da carteira perante um choque energético prolongado.

"We typically do not invest in these commodity stocks as we prefer to invest in companies with strong barriers to entry, higher earnings quality, and lower maintenance capital expenditure requirements"

"Habitualmente não investimos nestas acções de matérias-primas porque preferimos investir em empresas com barreiras à entrada sólidas, maior qualidade dos lucros e menores necessidades de investimento de manutenção"

CGEO bearish conv. core reduzir
Georgia Capital PLC
Asset Play

Conglomerado cotado em Londres com activos na Geórgia, detido desde períodos anteriores e segundo maior contribuidor de 2025 com valorização de 178%. Em Março a posição foi parcialmente vendida por ter crescido significativamente em peso, no mesmo movimento de gestão de risco que reduziu a exposição japonesa. A carta não articula alteração de tese nem divulga peso remanescente — a redução é apresentada como disciplina de dimensionamento, não como perda de convicção.

"We also reduced our exposure to Japanese equities and sold some of our Georgia Capital (CGEO) holding which had grown significantly"

"Reduzimos também a nossa exposição a acções japonesas e vendemos parte da nossa posição na Georgia Capital (CGEO), que tinha crescido significativamente"

ACDVF bearish conv. em observação sair
Air Canada
Cyclical

Companhia aérea canadiana vendida em Março no bloco de posições identificadas como mais expostas a subidas de custos de factores ou a quebras de procura decorrentes dos ventos contrários macroeconómicos. A carta não articula tese individual nem preço de saída — a decisão é apresentada como consequência directa do choque energético e do seu impacto sobre estruturas de custo dependentes de combustível.

"In March, we reacted to this crisis by selling off the positions that appeared to be most exposed to input cost increases or demand disruption due to larger macroeconomic headwinds"

"Em Março reagimos a esta crise vendendo as posições que pareciam mais expostas a aumentos de custos de factores ou a disrupção da procura devido a ventos contrários macroeconómicos mais amplos"

CMT bearish conv. em observação sair
Core Molding Technologies
Cyclical

Produtora norte-americana de compostos moldados vendida em Março no mesmo bloco de saídas. A cadeia de polímeros é um dos vectores de disrupção identificados na carta — cerca de 85% das exportações de polietileno do Médio Oriente atravessam o Ormuz — o que coloca a empresa do lado errado da equação de custos de factores. Sem tese individual articulada.

TFII bearish conv. em observação sair
TFI International
Cyclical

Operadora norte-americana de transporte rodoviário de mercadorias vendida em Março no bloco de posições mais expostas a custos de factores e a quebras de procura. A carta não desenvolve tese individual: a saída é enquadrada como reposicionamento de carteira perante um choque energético que Oskoui considera mais amplo e mais duradouro do que o consenso admite.

Citações

The Strait of Hormuz crisis has been described by the International Energy Agency as the largest supply disruption in the history of the global oil market

"A crise do Estreito de Ormuz foi descrita pela Agência Internacional de Energia como a maior disrupção de oferta da história do mercado petrolífero mundial"

Blue Tower Asset Management, LLC · Q1 2026

I believe the market consensus is underestimating both the breadth and duration of commodity disruptions

"Acredito que o consenso do mercado está a subestimar tanto a amplitude como a duração das disrupções de matérias-primas"

Blue Tower Asset Management, LLC · Q1 2026

The closure of the Strait of Hormuz amounts to removing close to 20% of global oil supplies from the market

"O encerramento do Estreito de Ormuz equivale a retirar do mercado perto de 20% da oferta mundial de petróleo"

Blue Tower Asset Management, LLC · Q1 2026

Even if a durable peace agreement were reached tomorrow, the timeline for restoration of full Persian Gulf production capacity is measured in years, not months

"Mesmo que um acordo de paz duradouro fosse alcançado amanhã, o horizonte de restauro da plena capacidade de produção do Golfo Pérsico mede-se em anos, não em meses"

Blue Tower Asset Management, LLC · Q1 2026

National and economic security concerns are often stronger motivators for policy change than environmental ones

"As preocupações de segurança nacional e económica são muitas vezes motivadores mais fortes de mudança política do que as ambientais"

Blue Tower Asset Management, LLC · Q1 2026

The cure to high prices is high prices

"A cura para preços altos são preços altos"

Blue Tower Asset Management, LLC · Q1 2026

Although we have invested in other types of energy sector companies in the past, this is the first time that Blue Tower has invested in oil and gas exploration and production stocks

"Embora tenhamos investido no passado noutros tipos de empresas do sector energético, esta é a primeira vez que a Blue Tower investe em acções de exploração e produção de petróleo e gás"

Blue Tower Asset Management, LLC · Q1 2026

This bias represents the kind of mispricing that shrewd and fundamentals-focused investors serve to correct

"Este viés representa o tipo de erro de avaliação que investidores argutos e focados em fundamentais servem para corrigir"

Blue Tower Asset Management, LLC · Q1 2026

Performance

Retornos

Q1 2026 (líquido de fees)
+1,62%
YTD
+1,62%
Base
net

Attribution

A carta não divulga contribuidores nem detractores individuais do trimestre, e não apresenta atribuição quantificada por posição. O único dado divulgado é o retorno do composite Global Value — 1,62% líquido, 1,89% bruto — descrito como superior à maioria dos índices accionistas globais num trimestre muito volátil. Toda a carta é dedicada à tese de disrupção de matérias-primas e às alterações de carteira executadas em Março.