RS Large Cap Value Strategy

Q1 2025 · 1500 palavras · 15 Abr 2025 · Commentary

Resumo editorial

O RS Large Cap Value Strategy (Victory Capital Management) rendeu +1,69% bruto (+1,57% líquido) no primeiro trimestre de 2025, abaixo do +2,14% do Russell 1000 Value Index. Selecção em Consumer Discretionary e Utilities ajudou o desempenho relativo, enquanto Materials e Information Technology penalizaram. Cigna, Exelon, Cboe, Exxon Mobil e AbbVie lideraram contribuições; Teva, Zebra, Alphabet, Regal Rexnord e Salesforce detraíram. O S&P 500 cedeu cerca de 4,3%, o pior trimestre desde meados de 2022, com o estilo valor a resistir melhor (Russell 1000 Value +2,1% contra Russell 3000 Growth -10%). A equipa reitera disciplina de ROIC, preferência por balanços sólidos e protecção de quedas perante a incerteza tarifária, monetária e orçamental, encarando a volatilidade como fonte de oportunidades.

Stance macro

Risk Risk-off Fed Neutral Ciclo Late cycle

Leitura cautelosa e defensiva. O fim abrupto do winning streak das acções americanas levou o S&P 500 a ceder cerca de 4,3% no T1, o pior trimestre desde meados de 2022, com a incerteza como tema dominante. As tarifas de Trump são o eixo do risco — interrogação entre mera táctica negocial e intervenção que trava comércio global, PIB e lucros — agravadas por pressão inflacionista, dado serem efectivamente uma forma de tributação. O estilo valor resistiu melhor: Russell 3000 Value +1,6% contra Russell 3000 Growth -10%, e large value (R1000 Value +2,1%) superou mid (-2,1%) e small value (-7,7%) num movimento de fuga para a qualidade. O Fed sinalizou abrandamento do ritmo de cortes e poderá tornar-se menos acomodatício se a inflação ressurgir, elevando o risco de erro de política. Pano de fundo cauteloso de crescimento mais lento e inflação persistente, sem implicar recessão iminente; escassez crónica de habitação protege os preços apesar das taxas elevadas. A equipa mantém o foco em qualidade, balanços sólidos e protecção de quedas.

Temas

A incerteza em torno do compromisso do Presidente Trump em instalar e aplicar um vasto leque de tarifas foi suficiente para minar o sentimento dos investidores e encerrar a forte sequência de ganhos das acções domésticas. A equipa coloca explicitamente as questões em aberto: serão as tarifas mera táctica negocial dada a balança comercial desfavorável dos EUA? Um meio de nivelar o terreno, repatriar cadeias de fornecimento e impulsionar a indústria doméstica? Ou irão travar o comércio global, o PIB e os lucros corporativos? Ninguém sabe ao certo. As tarifas são, na prática, uma forma de tributação cujo custo adicional dificilmente é absorvido na totalidade pelas empresas, com potenciais efeitos de propagação significativos sobre a inflação.

  • Dúvida entre táctica negocial e intervenção que trava o comércio
  • Tarifas como forma de tributação que pressiona a inflação
  • Repatriação de cadeias de fornecimento e indústria doméstica como objectivo declarado
  • Custos adicionais repassados ao consumidor com efeitos de propagação

Apesar da volatilidade, o style box de valor brilhou em termos relativos. O Russell 3000 Value Index terminou o trimestre com ganho de 1,6%, significativa superação face à queda de 10% do Russell 3000 Growth Index. As valuations tipicamente mais elevadas de muitas acções de crescimento, frequentemente transaccionadas com base em optimismo e potencial de lucros futuros, podem não ser o melhor destino num ambiente de aversão ao risco. Dentro do universo de valor, a dispersão por capitalização foi notória: large-cap value (Russell 1000 Value +2,1%) superou mid value (-2,1%) e small value (Russell 2000 Value -7,7%), à medida que investidores avessos ao risco gravitaram para as large-caps mais estáveis. A equipa conclui que, após anos de taxas baixas a inflar valuations de crescimento, o investimento em valor está bem posicionado para superar.

  • Russell 3000 Value +1,6% contra Russell 3000 Growth -10%
  • Large value (+2,1%) supera mid (-2,1%) e small value (-7,7%)
  • Fuga para qualidade e estabilidade das large-caps em ambiente risk-off
  • Valuations de crescimento vulneráveis após anos de taxas baixas

A questão da inflação e das taxas de juro permanece central. Sendo as tarifas, na prática, uma forma de tributação cujos custos serão em parte repassados aos consumidores, o efeito de propagação sobre a inflação pode ser significativo. A equipa nota que o Federal Reserve já sinalizou a intenção de abrandar o ritmo de futuros cortes de taxas e que, caso as leituras de IPC sugiram o reaparecimento da inflação, poderá inclinar-se para uma via ainda menos acomodatícia. Na secção de perspectivas, a equipa acrescenta que o Fed enfrenta o desafio complexo de equilibrar cortes perante medidas fiscais potencialmente estimulantes com a inflação acima do objectivo, elevando o risco de erros de política.

  • Sinalização de abrandamento no ritmo de cortes
  • Risco de via menos acomodatícia se a inflação ressurgir
  • Tarifas como vector inflacionista via repasse de custos
  • Risco elevado de erro de política num quadro de inflação acima do objectivo

A filosofia é detalhada na secção Investment Strategy. A RS Value Team procura boas empresas, lideradas por equipas de gestão fortes e atractivamente avaliadas, partindo da análise de negócio e da compreensão da economia ao nível unitário. A equipa é ROIC-focused e procura empresas com potencial de criar valor para o accionista através da melhoria dos retornos dos activos existentes ou de oportunidades de reinvestimento atractivas. A avaliação da gestão é crítica: análise histórica das decisões de capital — aquisições, vendas de activos e medidas de capital stewardship. O ROIC é a lente através da qual a criação de valor é analisada, com a investigação a mostrar forte correlação entre o desempenho da acção e a melhoria do ROIC, por oposição a métricas tradicionais como o P/E. O horizonte de longo prazo é usado como vantagem competitiva, com atracção por empresas out-of-favor ou incompreendidas pelo mercado.

  • ROIC em melhoria como filtro principal de selecção
  • Análise histórica das decisões de capital da gestão
  • Forte correlação do desempenho da acção com o ROIC versus P/E
  • Horizonte de longo prazo como vantagem competitiva
  • Atracção por empresas out-of-favor ou incompreendidas

Embora reconheça que a maioria dos investidores não gosta de volatilidade, a equipa reitera que esta deve ser abraçada por investidores pacientes e de longo prazo. Nesta nova era de volatilidade elevada, em que preços e fundamentais se descolam frequentemente, a equipa continua a acreditar que estratégias activamente geridas e orientadas para o valor estão bem posicionadas. Ironicamente, torna-se de facto mais fácil encontrar oportunidades atraentes em tempos de turbulência. A equipa procura empresas com combinação de ROIC em melhoria e cotações que negoceiam com desconto profundo face ao valor intrínseco, vendo na disrupção entre preço e fundamentais um terreno fértil para gerar retornos ajustados ao risco atractivos ao longo de períodos mais longos.

  • Volatilidade a ser abraçada pelo investidor paciente
  • Descolamento entre preço e fundamentais como oportunidade
  • Gestão activa orientada para o valor bem posicionada
  • Desconto profundo face ao valor intrínseco como alvo

Perante uma administração com ambições de renascimento económico, um Fed em equilíbrio delicado e o risco sempre presente de choques sistémicos, a equipa mantém o foco em investimentos de qualidade para mitigar riscos de queda enquanto captura oportunidades de subida. O escrutínio da força financeira das empresas — análise das demonstrações financeiras e de modelos que estimam o risco de downside — confere confiança à tese e determina o preço a que a equipa se sente confortável a investir. A abordagem prioriza balanços sólidos e fluxos de caixa robustos, sendo a posição em Zebra Technologies (mantida apesar de uma queda de 26% no trimestre) ilustrativa da disciplina de manter convicção quando a tese de longo prazo permanece intacta.

  • Foco em qualidade para mitigar riscos de queda
  • Escrutínio da força financeira e modelação do downside
  • Balanços sólidos e fluxos de caixa robustos como filtro
  • Manter convicção quando a tese de longo prazo permanece intacta

Na secção de perspectivas, a equipa identifica pressões sobre o mercado de habitação decorrentes de taxas de juro elevadas e de desafios de acessibilidade. Contudo, uma década de subinvestimento na oferta de habitação deverá limitar quedas nos preços das casas. Os consumidores de menores rendimentos suportam o maior peso das pressões inflacionistas, mas os balanços globais dos consumidores permanecem saudáveis e a qualidade do crédito mantém-se sólida no momento. É um pano de fundo macroeconómico que alimenta uma tese estrutural sem posição direccionada articulada na carta.

  • Década de subinvestimento na oferta como amortecedor estrutural
  • Taxas elevadas e acessibilidade como pressões persistentes
  • Consumidores de menores rendimentos mais pressionados
  • Balanços dos consumidores e qualidade de crédito ainda sólidos

Posições

CI neutral conv. top manter
Cigna Group
Stalwart +0,5% contrib.

Seguradora de saúde e gestora de benefícios farmacêuticos. Top contributor isolado do T1 2025 com +0,47pp em Health Care. Tese de detenção não detalhada na carta — listada por contribuição de retorno na conta representativa.

EXC neutral conv. top manter
Exelon Corporation
Slow Grower +0,5% contrib.

Utility regulada de distribuição de electricidade. Top contributor do T1 2025 com +0,45pp em Utilities, sector defensivo favorecido no risk-off do trimestre. Tese de detenção não detalhada na carta — listada por contribuição de retorno.

CBOE neutral conv. top manter
Cboe Global Markets Inc.
Stalwart +0,4% contrib.

Operadora global de bolsas de derivados, opções e índices de volatilidade. Top contributor do T1 2025 com +0,41pp em Financials, com volumes beneficiados pela volatilidade do trimestre. Tese de detenção não detalhada na carta — listada por contribuição de retorno.

XOM neutral conv. core manter
Exxon Mobil Corporation
Cyclical +0,3% contrib.

Petrolífera integrada multinacional. Top contributor do T1 2025 com +0,34pp em Energy. Tese de detenção não detalhada na carta — listada por contribuição de retorno na conta representativa.

ABBV neutral conv. top manter
AbbVie, Inc.
Stalwart +0,3% contrib.

Farmacêutica diversificada e forte contribuidora no T1 2025. A acção beneficiou de resultados do quarto trimestre acima das expectativas, das franquias de imunologia e neurociência e da estabilização da Humira após a perda de exclusividade. O acordo de licenciamento com a dinamarquesa Gubra deu direitos de co-desenvolvimento sobre um fármaco para obesidade. A equipa mantém-se construtiva, antecipando crescimento de lucros de um dígito alto até ao fim da década, suportado por franquias duradouras e balanço saudável.

We remain constructive on AbbVie and believe the company is well-positioned to deliver high-single-digit earnings growth through the end of the decade, supported by durable franchises, a promising pipeline, and a healthy balance sheet.

"Mantemo-nos construtivos quanto à AbbVie e acreditamos que a empresa está bem posicionada para entregar crescimento de lucros de um dígito alto até ao fim da década, suportado por franquias duradouras, uma linha de desenvolvimento promissora e um balanço saudável."

TEVA neutral conv. core manter
Teva Pharmaceutical Industries
Turnaround -0,8% contrib.

Farmacêutica de genéricos e especialidades em programa de turnaround. Top detractor isolado do T1 2025 com -0,80pp em Health Care. Tese de detenção não detalhada na carta — listada por contribuição de retorno negativa na conta representativa.

ZBRA neutral conv. core manter
Zebra Technologies Corporation
Cyclical -0,5% contrib.

Fornecedora de software e hardware de rastreio de activos físicos; a acção caiu 26% no trimestre. A tese de longo prazo assenta no investimento de empresas de indústria, retalho, distribuição e saúde em automação para melhorar eficiência e margens. A equipa iniciou a posição em Agosto de 2023, após as compras excessivas da era Covid terem sido absorvidas. Em 2025, a gestão deu orientação conservadora face a tarifas; a equipa mantém a posição por considerar a tese intacta.

While these political and macro concerns will produce some headwinds, our long-term thesis remains intact, so we continue to hold our position.

"Embora estas preocupações políticas e macroeconómicas produzam alguns ventos contrários, a nossa tese de longo prazo permanece intacta, pelo que continuamos a manter a nossa posição."

posição iniciada em Agosto de 2023

GOOGL neutral conv. core manter
Alphabet Inc. Class A
Stalwart -0,4% contrib.

Conglomerado de tecnologia, publicidade digital e nuvem (Google). Top detractor do T1 2025 com -0,43pp em Communication Services, no contexto do recuo das acções de crescimento mega-cap. Tese de detenção não detalhada na carta — listada por contribuição de retorno.

RRX neutral conv. core manter
Regal Rexnord Corporation
Cyclical -0,3% contrib.

Fabricante industrial de soluções de movimento, automação e gestão de energia. Top detractor do T1 2025 com -0,33pp em Industrials. Tese de detenção não detalhada na carta — listada por contribuição de retorno na conta representativa.

CRM neutral conv. core manter
Salesforce, Inc.
Stalwart -0,3% contrib.

Fornecedora de software empresarial de gestão de relação com clientes (CRM) em nuvem. Top detractor do T1 2025 com -0,30pp em Information Technology, no recuo do estilo de crescimento. Tese de detenção não detalhada na carta — listada por contribuição de retorno.

Citações

Nothing good lasts forever, and the incredible winning streak that domestic equities were enjoying came to an abrupt end during the first quarter of 2025.

"Nada de bom dura para sempre, e a incrível sequência de ganhos de que as acções domésticas usufruíam terminou abruptamente durante o primeiro trimestre de 2025."

RS Large Cap Value Strategy · Q1 2025

Ironically, it actually becomes easier to find compelling opportunities during times of tumult.

"Ironicamente, torna-se de facto mais fácil encontrar oportunidades atraentes em tempos de turbulência."

RS Large Cap Value Strategy · Q1 2025

Following years of low interest rates driving elevated growth stock valuations, we believe value investing is poised for outperformance.

"Após anos de taxas de juro baixas a inflar as valuations das acções de crescimento, acreditamos que o investimento em valor está bem posicionado para superar."

RS Large Cap Value Strategy · Q1 2025

We remain constructive on AbbVie and believe the company is well-positioned to deliver high-single-digit earnings growth through the end of the decade, supported by durable franchises, a promising pipeline, and a healthy balance sheet.

"Mantemo-nos construtivos quanto à AbbVie e acreditamos que a empresa está bem posicionada para entregar crescimento de lucros de um dígito alto até ao fim da década, suportado por franquias duradouras, uma linha de desenvolvimento promissora e um balanço saudável."

RS Large Cap Value Strategy · Q1 2025

While these political and macro concerns will produce some headwinds, our long-term thesis remains intact, so we continue to hold our position.

"Embora estas preocupações políticas e macroeconómicas produzam alguns ventos contrários, a nossa tese de longo prazo permanece intacta, pelo que continuamos a manter a nossa posição."

RS Large Cap Value Strategy · Q1 2025

ROIC is the lens through which we analyze that value creation.

"O ROIC é a lente através da qual analisamos essa criação de valor."

RS Large Cap Value Strategy · Q1 2025

Performance

Retornos

T1 2025 (bruto)
+1,69%
YTD
+1,69%
Desde início
+12,53%
Base
gross
CAGR desde inception
+12,53%

Benchmark

Russell 1000 Value Index

Período
+2,14%
YTD
+2,14%

Track record anual

Período Fundo Benchmark
1 ano +9,89% +7,18%
3 anos (anualizado) +10,44% +6,64%
5 anos (anualizado) +18,54% +16,15%
10 anos (anualizado) +10,16% +8,79%
since inception 31/05/2009 (anualizado) +12,53% +11,71%

Contribuidores

Top contributors: CI, EXC, CBOE, XOM, ABBV
Top detractors: TEVA, ZBRA, GOOGL, RRX, CRM

Attribution

Desempenho relativo negativo no T1, com a estratégia (+1,69% bruto / +1,57% líquido) a ficar atrás do Russell 1000 Value Index (+2,14%). A selecção de títulos em Consumer Discretionary e Utilities favoreceu o resultado relativo, ao passo que a selecção em Materials e Information Technology penalizou. Ao nível da conta representativa, Cigna (+0,47pp), Exelon (+0,45pp), Cboe Global Markets (+0,41pp), Exxon Mobil (+0,34pp) e AbbVie (+0,34pp) lideraram as contribuições. Do lado negativo, Teva Pharmaceutical (-0,80pp), Zebra Technologies (-0,45pp), Alphabet (-0,43pp), Regal Rexnord (-0,33pp) e Salesforce (-0,30pp) foram os principais detractores.