A RGA abre o comentário com a constatação de que o mercado, tal como
habitualmente referido, passou a ser dominado por um punhado de empresas
de muito grande capitalização. O S&P 500 equiponderado (RSP) é, no seu
entender, um indicador muito mais fiel do desempenho da acção mediana, e
a divergência face ao SPY revela quão distorcido ficou o índice
ponderado por capitalização. As dez maiores empresas representam já mais
de 40% do peso do índice, um nível histórico que torna comparações de
múltiplos como o preço/lucro menos relevantes do que seriam normalmente.
A esta concentração somam-se a especulação retalhista, forte ao ponto de
dobrar a lógica de avaliação — exemplificada na Palantir —, criando um
ambiente que penaliza estratégias activas mas que, defendem os gestores,
abre oportunidades.
- Divergência entre o S&P 500 equiponderado (RSP) e o ponderado por capitalização (SPY)
- Dez maiores empresas representam mais de 40% do índice
- Especulação retalhista a dobrar a lógica de avaliação — exemplo Palantir
Os gestores argumentam que a IA está a absorver toda a atenção do
mercado e que a Alphabet emergiu como vencedora, e não como vítima, da
transição. A resolução do processo antitrust em Setembro de 2025
libertou a empresa para redireccionar a organização para a IA, no que a
RGA apelidou internamente de o dia em que a Google se tornou uma acção
de IA. A tese central é de integração vertical: a Alphabet é a única
empresa que se destaca nas cinco áreas críticas — semicondutores
proprietários (TPU), centros de dados, modelos (Gemini), consumo (Search
e Android) e empresarial (Google Cloud). Os concorrentes cobrem, quando
muito, três destas áreas, o que faz da Google o fornecedor de mais baixo
custo em cada uma.
- Resolução do antitrust como ponto de viragem competitivo
- Integração vertical nas cinco áreas críticas da IA
- Vantagem de custo do TPU proprietário face à dependência de GPUs Nvidia
A RGA detém três dos Sete Magníficos em dimensão relevante e rejeita a
prática de os tratar como um bloco único. Os gestores consideram esse
agrupamento analiticamente falho, uma vez que as empresas subjacentes
divergem acentuadamente em avaliação, crescimento, ciclicidade,
rendibilidade e posicionamento estratégico. A maior detenção da carteira,
a Alphabet, integra esse grupo mas foi por vezes apelidada de Lag7,
ilustrando precisamente a dispersão de avaliação que a RGA procura
explorar.
- Divergência interna em avaliação, crescimento e ciclicidade
- Alphabet como o membro mais barato — a Lag7
A RGA mantém uma posição vocal, repetida em vários comentários, de que a
saúde continua a ser um dos sectores mais subvalorizados do mercado e de
que o desvio de avaliação se alarga a favor dos investidores. Os gestores
recorrem a uma série histórica de retornos relativos a 120 meses para
sublinhar que o desconto do sector face ao mercado se encontra em
territórios extremos.
- Desvio de avaliação do sector da saúde em alargamento
- Desconto histórico face ao mercado em territórios extremos
A tese da Capital One assenta, em parte, na capacidade de devolução de
capital. Em preparação para a fusão, tanto a COF como a Discover
acumularam excedentes de capital substanciais, o que sustentou um
aumento do dividendo de 33% e um novo programa de recompra de acções de
16 mil milhões de dólares. A RGA espera pelo menos 10 mil milhões em
recompras anuais — mais de 7,5% da capitalização actual — nos próximos
dois anos. A combinação de economia de rede e eficiência operacional
funciona como um volante de inércia que liberta fluxos de caixa
reciclados continuamente para os accionistas.
- Excedentes de capital acumulados em preparação para a fusão
- Dividendo +33% e recompra de 16 mil milhões de dólares
- Volante de inércia entre economia de rede e eficiência operacional
O fio condutor do comentário é a convicção de que a concentração
extrema, a especulação retalhista e a obsessão com a IA criam, no seu
conjunto, uma oportunidade extraordinária, mesmo entre as queridas do
mercado. Os gestores enquadram o ambiente como aquele em que mercados
como o actual separam a disciplina real da deriva passiva e em que a
gestão activa importa mais do que há muito tempo. A própria recuperação
da Alphabet é apresentada como roteiro para sectores penalizados pela
narrativa de IA.
- Concentração e especulação como fonte de oportunidade
- Gestão activa importa mais do que há muito tempo