A equipa documenta que o anúncio tarifário do "liberation day" a 2
de Abril desencadeou uma queda superior a -12% do S&P 500 em quatro
sessões, com o índice a atingir o fundo a 8 de Abril em -15% no ano.
A recuperação subsequente — perto de +25% em ~11 semanas até máximo
histórico — é atribuída à percepção de que as tarifas serão menos
draconianas do que aparentavam originalmente, com os equities a
valorizar quando a Administração mostrou abertura para negociar e
adiar a implementação. Resultados corporativos sólidos reforçaram a
recuperação.
- Anúncio 'liberation day' 2 Abril — queda >-12% em quatro sessões
- Fundo a 8 Abril com S&P 500 em -15% no ano
- Recuperação ~+25% em ~11 semanas — a mais rápida de sempre de uma queda de -15%
- Abertura da Administração para negociar e adiar tarifas catalisou o rally
A equipa quantifica a estreiteza da liderança de mercado: os 8
maiores contribuidores do S&P 500 — Nvidia, Microsoft, Broadcom,
Meta, Amazon, Alphabet, Netflix e Tesla — subiram em média +33% e
geraram 75% do retorno do índice no trimestre. Excluindo estes 8, o
índice teria rendido perto de +3%. Estratégias e factores de
momentum tiveram bom desempenho, e o Russell 1000 Growth bateu
significativamente o Russell 1000 Value (+18% vs +4%), reflectindo
que estas acções representam quase metade do índice growth e apenas
5% do índice value.
- 8 maiores contribuidores subiram em média +33% no trimestre
- Estes 8 geraram 75% do retorno do S&P 500
- Índice teria rendido ~+3% excluindo os 8 maiores contribuidores
- Russell 1000 Growth +18% vs Russell 1000 Value +4% no trimestre
A equipa argumenta que as alternativas passivas negoceiam a
múltiplos de avaliação acima das médias históricas: o índice value
transacciona com prémio meaningful face à sua própria média
histórica, enquanto o índice growth se aproxima de máximo histórico.
Em contraste, o rácio preço/lucro do portefólio mantém-se em
linha com a sua média de longo prazo, quer usando consensus quer a
estimativa própria de lucros normais. A equipa interpreta esta
dicotomia como favorável a investidores activos focados em
fundamentais e valuation de longo prazo, ainda que não consiga
prever com confiança quando o benefício se materializará.
- Índice value com prémio face à própria média histórica
- Índice growth perto de máximo histórico de avaliação
- P/E do portefólio em linha com a média de longo prazo
- Dicotomia vista como vantagem estrutural para investidores activos
A equipa mantém exposição a energia apesar de o sector ter detraído
no trimestre. Em APA, argumenta que o mercado a compreende mal por
focar a resource life mais curta do Permian sem factoring de
reinvestimento em Suriname, Egipto e potencialmente Alasca, num
mercado que pode estar perenemente subprovisionado. Em NOV, sustenta
que a queda dos preços da energia reduziu a actividade dos campos
abaixo de níveis sustentáveis, e que uma recuperação traria aumentos
de volume e preço na maioria das linhas de produto, com a
capacidade de geração de lucros do Rig Aftermarket a melhorar dada
a grande base instalada.
- APA mal compreendida — optionality em Suriname, Egipto e potencialmente Alasca
- Mercado de energia visto como potencialmente subprovisionado
- NOV: actividade dos campos abaixo de níveis sustentáveis
- Ciclo de newbuild rigs ofereceria upside às estimativas normais
Várias teses do trimestre apoiam-se em capital allocation
disciplinada como driver de re-rating. A F5 gera free cash flow
forte, tem balanço com caixa líquida e a gestão comprometeu-se a
devolver pelo menos 50% do FCF aos accionistas, com melhoria
significativa da capital allocation nos últimos anos. Na Citigroup,
a conclusão do ciclo de investimentos em IT, compliance e risk
deverá libertar margens e retornos. Na Kraft Heinz, aquisições
bolt-on e recompra de acções, combinadas com um dividend yield acima
de 4%, deverão assegurar um retorno total competitivo apesar do
crescimento orgânico modesto.
- F5: gestão comprometida a devolver 50%+ do FCF aos accionistas
- Citigroup: fim do ciclo de investimentos em IT, compliance e risk
- Kraft Heinz: aquisições bolt-on e recompra de acções
- Kraft Heinz: dividend yield acima de 4% apoia o retorno total
A equipa usa o trimestre extremo — quebra de -15% e recuperação
relâmpago — para reforçar que paciência não é apenas uma preferência
mas um requisito do investimento bem-sucedido. Cita que, desde 1930,
o retorno de preço do S&P 500 ultrapassa +23.000%, mas que excluir
os 10 melhores dias de cada década reduziria esse retorno para cerca
de +70%. A dicotomia de avaliação entre passivos caros e o portefólio
de valor é apresentada como uma oportunidade estrutural: a equipa
está confiante de que o benefício para investidores activos focados
em fundamentais ocorrerá, ainda que não consiga prever quando.
- Paciência apresentada como requisito, não preferência, do investimento
- S&P 500 desde 1930: +23.000% de retorno de preço
- Excluir os 10 melhores dias por década reduziria o retorno a ~+70%
- Dicotomia de avaliação vista como oportunidade estrutural para o activo