Cambiar SMID Fund

Q1 2026 · 1400 palavras · Commentary

Resumo editorial

O Cambiar SMID Fund encerrou o primeiro trimestre de 2026 em alta (+2,21%, classe CAMMX), mas ficou aquém do Russell 2500 Value Index (+4,77%), num trimestre marcado pela quebra dos Mag 7 e pela rotação de growth para value. O défice relativo deveu-se a quedas específicas em healthcare — Solventum e Phreesia, pressionadas por receios de disrupção por IA — e industriais, e à subponderação a energia. Os bancos regionais Webster e BOK Financial contribuíram positivamente. A gestora fez sete compras e seis liquidações: iniciou ON Semiconductor (troca por Amdocs), Clorox e Southwest Airlines, e fechou CF Industries após uma valorização de 58%. O tema central — HALO, activos físicos de baixa obsolescência imunes à IA — reforça o enquadramento Qualidade | Preço | Disciplina.

Stance macro

Risk Neutral

A gestora descreve um trimestre misto para as acções norte- americanas: a quebra do grupo Mag 7 (rebaptizado "Lag 7?") pesou sobre o S&P 500 (−4,3%), enquanto as small caps ekeou um pequeno ganho (Russell 2000 +0,9%) e passaram a superar em base de um ano (25,7% vs 17,8% do S&P). Após três anos a ~23% anualizados, as acções estavam maduras para uma correcção; o conflito no Irão e o salto das matérias-primas foram o catalisador de um trade risk-off, parcialmente reposto num rally de fim de trimestre com um caminho anunciado para possível resolução. Sob a superfície persistiam fragilidades — capex elevado nos Mag 7, receios de disrupção por IA no software e gates de resgate no crédito privado. Houve divergência de estilo, com value a oferecer margem de protecção face a growth e rotação para cíclicos (energia, industriais, materiais). A Cambiar mantém-se level-headed, com compra/venda função de fundamentais, preço e risco/retorno específicos; privilegia qualidade, pricing power, disciplina de capital e balanços sólidos, e enfatiza a diversificação como garantia de durabilidade, não de maximização de retornos, num regime de margem de segurança.

Temas

O tema central da carta — "Out with the old, in with the…older?" — articula a rotação de negócios asset-light para acções da economia física antiga em resposta a receios de disrupção por IA. Wall Street cunhou o termo HALO (high asset, low obsolescence): a IA pode escrever código ou optimizar workflows digitais, mas não substitui hidrocarbonetos, redes logísticas ou tecnologia de ortodontia. Estes hard assets têm valores terminais mais defensivos do que muitos negócios de software cujo futuro é posto em causa. A gestora enquadra o seu processo — durabilidade de moat, pricing power, scarcity value e liderança de mercado — como cada vez mais relevante à luz dos avanços rápidos da IA.

  • HALO — high asset, low obsolescence — como novo enquadramento de Wall Street
  • IA não substitui hidrocarbonetos, logística ou ortodontia
  • Hard assets com valores terminais mais defensivos que software
  • Durabilidade de moat, pricing power e scarcity value ganham relevância

Os receios de disrupção por IA no software foram um driver transversal do trimestre, deslocando capital de negócios asset-light para a economia física. Na carteira, penalizaram directamente dois detractores em healthcare: a unidade HCIT da Solventum (~16% das vendas) e a Phreesia, provedor de software com nicho em registo/check-in de pacientes. A gestora considera as reacções excessivas — ambas as empresas mantêm fundamentais sólidos e as suas orientações — mas reconhece que a disrupção por IA é uma incógnita adicional, ainda que provavelmente afecte um subconjunto mais restrito de empresas. Amdocs, uma holding tech historicamente defensiva, foi vendida em parte por este pano de fundo.

  • Capital desloca-se de asset-light para economia física por receios de IA
  • Solventum (HCIT ~16% vendas) e Phreesia entre os detractores
  • Gestora vê as reacções como excessivas mas reconhece a incógnita

O conflito no Médio Oriente desencadeou um spike de volatilidade e fez o petróleo subir dos ~60 dólares para mais de 100 dólares. Foi um tailwind forte para o sector de energia, mas a Cambiar está subponderada (única posição, ~2,5% vs 5,4% do índice), limitando o upside capturado. O encerramento do estreito de Ormuz atingiu também os fertilizantes azotados (~60% da procura global provém da região): a holding CF Industries beneficiou de inputs mais baratos e preços de venda mais altos, com a acção a subir mais de 58% — levando a gestora a fechar a posição. Sem tomar direcção macro sobre o petróleo, antecipa que energia e fertilizantes recuem quando o estreito reabrir.

  • Petróleo de ~60 dólares para mais de 100 dólares com o conflito no Irão
  • Fundo subponderado a energia (~2,5% vs 5,4%) limita upside
  • Ormuz eleva fertilizantes azotados; CF Industries +58% e liquidada

Num trimestre difícil para ganhos, as small caps de valor foram uma excepção notável: o Russell 2500 Value subiu 4,8% e o Russell 2000 registou +0,9%, contra −4,3% do S&P 500. As small caps têm vindo a recuperar terreno e superam agora em base de um ano (25,7% vs 17,8%). Houve divergência de estilo marcada, com value a oferecer margem de protecção enquanto growth sofria, e rotação para cíclicos como energia, industriais e materiais. A gestora enquadra o ambiente como favorável a empresas de qualidade com balanços sólidos e histórico de lucros, face a nomes mais especulativos sem suporte de avaliação.

  • Russell 2500 Value +4,8% e Russell 2000 +0,9% vs S&P 500 −4,3%
  • Small caps superam em base de um ano (25,7% vs 17,8%)
  • Value oferece margem de protecção; rotação para cíclicos

A gestora comenta o crédito privado — classe à qual a Cambiar não tem exposição — sublinhando que a combinação de liquidez abundante e disposição para assumir riscos que os bancos provavelmente recusaram alimentou um crescimento explosivo do private lending que dá agora sinais de tensão via defaults e markdowns de empréstimos. O impacto maior poderá ser a contracção da disponibilidade de crédito, com condições financeiras mais apertadas a constranger investimento e contratação nas empresas dependentes deste canal. A subida das yields ligada ao petróleo poderá pressionar ainda mais as expectativas de crescimento.

  • Crescimento explosivo do private lending dá sinais de tensão
  • Defaults e markdowns; contracção potencial da disponibilidade de crédito
  • Cambiar sem exposição à classe de activos

Ao longo dos últimos anos, os mercados foram fortemente influenciados por um conjunto relativamente estreito de narrativas e grupos de liderança — um ambiente que pode criar a ilusão de que a diversificação é desnecessária. Essa postura começou a mudar, com alocações a value e small caps a compensar a fraqueza de growth. A Cambiar contrasta esta narrativa com a sua filosofia de construção de carteira: propriedade ampla através de uma mistura diversa de negócios, dentro e entre sectores. Em períodos incertos, argumenta, a diversificação é menos sobre maximizar retornos e mais sobre assegurar durabilidade.

  • Mag 7 (Lag 7?) e liderança estreita de narrativas pesam no S&P 500
  • Ilusão de que a diversificação é desnecessária a começar a mudar
  • Diversificação como garantia de durabilidade, não de maximização de retornos

Posições

ON bullish conv. starter nova posição
ON Semiconductor Corporation
Cyclical

Produtor de semicondutores de potência, guiado por uma equipa de gestão que a Cambiar vê como best-in-class. Transacciona em margens de fundo de ciclo por um inventário prolongado pós-COVID; acertar o momento certo é tudo em semis, e a gestora acredita que a procura está prestes a inflectir em alta. Catalisador adicional: uma mudança arquitectónica em datacenters que deverá elevar o conteúdo de semis de potência. Comprada em troca de Amdocs.

Successful ownership in semis is all about timing the cycle, and we believe demand trends are poised to inflect higher from current levels.

"O sucesso em semis passa todo por acertar o momento do ciclo, e acreditamos que as tendências de procura estão prestes a inflectir em alta a partir dos níveis actuais."

CLX bullish conv. starter nova posição
The Clorox Company
Stalwart

Nova compra do trimestre no espaço de consumer staples. A gestora aproveitou os movimentos amplos nos preços das acções para adicionar nomes da sua research library a pontos de entrada accionáveis. A posição enquadra-se na preferência por empresas de qualidade com pricing power, balanços sólidos e valores terminais defensivos, à medida que os investidores rodaram para áreas mais tangíveis e geradoras de cash. Representa 2,5% do fundo.

LUV bullish conv. starter nova posição
Southwest Airlines Co.
Cyclical

Nova compra do trimestre, entre as adições que cobriram uma gama alargada de indústrias, de Clorox a Southwest Airlines. A gestora usou os movimentos outsized nos preços das acções — em nomes da sua research library que atingiram pontos de attachment accionáveis — para iniciar a posição. Enquadra-se na rotação para acções da economia física e tangível, com HALO como pano de fundo. Representa 2,5% do fundo.

DOX bearish conv. média sair
Amdocs Limited
Stalwart

Provedor de IT services, historicamente uma holding tech mais defensiva — ficando para trás em ambientes frothy, como 2025, mas aguentando bem nos drawdowns de 2022. Com o anúncio recente de uma transição de CEO e upside contido às avaliações actuais, a Cambiar vendeu Amdocs a favor de ON Semiconductor, que vê como oferecendo um perfil de retorno mais atractivo. A saída alinha com o pano de fundo de receios de disrupção por IA no software.

CF bearish conv. média sair
CF Industries Holdings, Inc.
Cyclical

Produtor norte-americano de amónia e fertilizantes azotados. Com o encerramento do estreito de Ormuz — de onde provém a maioria da procura global de fertilizantes azotados — a empresa beneficiou de feedstock mais barato e de preços de venda globais mais altos, com lucros e cashflow elevados. À semelhança do petróleo, a gestora antecipa que os preços recuem quando o estreito reabrir; com a acção a subir mais de 58%, fechou a posição.

SOLV neutral conv. core manter
Solventum Corporation
Turnaround

Cindida da 3M em 2024, com três segmentos: equipamento cirúrgico, soluções dentárias e sistemas de health IT. Como empresa autónoma, está a fazer tudo bem — crescimento orgânico positivo em todas as unidades, desalavancagem do balanço e geração de free cashflow. A fraqueza recente do preço deve-se a receios ligados a IA que pressionam a unidade HCIT (~16% das vendas). A gestora mantém-se construtiva e conserva a posição, vendo o drawdown como desproporcionado face aos fundamentais em melhoria.

PHR neutral conv. média manter
Phreesia, Inc.
Fast Grower

Provedor de software com um nicho-chave em healthcare — registo e check-in de pacientes e plataforma de engagement digital, bem entrincheirados em redes hospitalares e práticas de especialidade. Parte da dor na acção veio de receios de IA e de um guide-down na receita de publicidade, com provedores de vacinas e empresas de GLP-1 a reduzir gastos. Ainda assim, manteve a orientação de EBITDA anual e a gestora vê forte potencial de upside.

WBS neutral conv. core manter
Webster Financial Corporation
Stalwart

Banco regional e um dos contribuidores positivos chave do trimestre. Num período em que os financials foram o grupo de pior desempenho no índice — penalizados por taxas mais altas, receios de crescimento e exposição aos mercados privados desafiados — as holdings financeiras da Cambiar conseguiram contornar grande parte da pressão vendedora. O foco em diversificação serviu bem o fundo, com Webster entre os outperformers individuais destacados pela gestora. Representa 2,7% do fundo.

BOKF neutral conv. core manter
BOK Financial Corporation
Stalwart

Banco regional e um dos outperformers individuais destacados no trimestre. Enquanto o sector financeiro foi o de pior desempenho no índice, com bancos, gestores de activos e serviços financeiros pressionados por taxas mais altas, receios de crescimento e exposição aos mercados privados, as holdings financeiras da Cambiar sidestepparam grande parte da venda. A gestora atribui o resultado ao foco em diversificação, com BOK Financial entre os contribuidores relativos de topo. Representa 2,5% do fundo.

ALGN neutral conv. core manter
Align Technology, Inc.
Stalwart

Invocada pela gestora como exemplo do enquadramento HALO: a IA não substitui a tecnologia de alinhamento dentário que a Align fornece, tal como não substitui hidrocarbonetos ou redes logísticas. Estes hard assets têm valores terminais mais defensivos do que muitos negócios de software cujo futuro é posto em causa pela IA. A posição ilustra o foco de research da Cambiar em durabilidade de moat, pricing power, scarcity value e liderança de mercado. Representa 2,6% do fundo.

AI cannot be a substitute for necessary hydrocarbons provided by HF Sinclair, replace key assets such as Saia's logistics networks, or provide teeth-straightening technology (e.g., Align Technology).

"A IA não pode ser um substituto dos hidrocarbonetos necessários fornecidos pela HF Sinclair, substituir activos-chave como as redes logísticas da Saia, ou fornecer tecnologia de alinhamento dentário (e.g., Align Technology)."

Citações

Wall Street's newest term that is gaining traction is HALO – high asset, low obsolescence companies.

"O termo mais recente de Wall Street a ganhar tracção é HALO — high asset, low obsolescence (activo elevado, baixa obsolescência)."

Cambiar SMID Fund · Q1 2026

AI cannot be a substitute for necessary hydrocarbons provided by HF Sinclair, replace key assets such as Saia's logistics networks, or provide teeth-straightening technology (e.g., Align Technology).

"A IA não pode ser um substituto dos hidrocarbonetos necessários fornecidos pela HF Sinclair, substituir activos-chave como as redes logísticas da Saia, ou fornecer tecnologia de alinhamento dentário (e.g., Align Technology)."

Cambiar SMID Fund · Q1 2026

Iran (and the ensuing rip in commodity prices) was the spark for a risk-off trade.

"O Irão (e o consequente salto nos preços das matérias-primas) foi a faísca para um trade risk-off."

Cambiar SMID Fund · Q1 2026

Successful ownership in semis is all about timing the cycle, and we believe demand trends are poised to inflect higher from current levels.

"O sucesso em semis passa todo por acertar o momento do ciclo, e acreditamos que as tendências de procura estão prestes a inflectir em alta a partir dos níveis actuais."

Cambiar SMID Fund · Q1 2026

diversification is less about maximizing returns and more about ensuring durability.

"a diversificação é menos sobre maximizar retornos e mais sobre assegurar durabilidade."

Cambiar SMID Fund · Q1 2026

explosive growth in private lending that is now showing signs of struggle via defaults and loan markdowns

"crescimento explosivo do private lending que dá agora sinais de tensão via defaults e markdowns de empréstimos"

Cambiar SMID Fund · Q1 2026

Performance

Retornos

T1 2026 (Class CAMMX — Investor)
+2,21%
YTD
+2,21%
Desde início
+8,48%
Base
net
CAGR desde inception
+8,48%

Benchmark

Russell 2500 Value Index

Período
+4,77%
YTD
+4,77%

Track record anual

Período Fundo Benchmark
1 ano +4,20% +25,43%
3 anos (anualizado) +3,31% +14,46%
5 anos (anualizado) +2,62% +7,64%
10 anos (anualizado) +9,16% +9,87%
since inception 31/05/2011 (anualizado) +8,48% +9,38%

Contribuidores

Top contributors: WBS, BOKF, CF
Top detractors: SOLV, PHR

Attribution

O fundo fechou em alta no trimestre mas não conseguiu acompanhar o Russell 2500 Value Index (+4,8%). O défice de desempenho relativo deveu-se sobretudo a quedas específicas em posições seleccionadas de healthcare e industriais, bem como a uma menor alocação ao sector de energia — o de melhor desempenho no índice. A selecção em healthcare foi o maior travão: Solventum e Phreesia sofreram drawdowns consideráveis, ambos pressionados por receios de disrupção por IA. As posições em financials — com destaque para os bancos regionais Webster Financial e BOK Financial — conseguiram contornar grande parte da pressão vendedora e representaram um contributo positivo chave para o desempenho relativo. A posição em fertilizantes CF Industries valorizou mais de 58% antes de ser liquidada.

Portfólio

Sector tilts

  • Energia · underweight (significant) — única posição em energia (~2,5% no fundo vs 5,4% no índice) teve bom desempenho no período, mas o menor peso relativo limitou o potencial adicional; empresas de energia são largamente price-takers e o petróleo deverá cair a qualquer sinal de desanuviamento