Guinness Global Equity Income Fund

Q1 2026 · 3400 palavras · Full letter

Resumo editorial

O Guinness Global Equity Income Fund recuou −0,5% no primeiro trimestre de 2026 (Classe Y Dis, GBP), contra −1,7% do MSCI World, superando o índice em 1,2 pontos percentuais, mas ficando 0,4pp aquém da média do sector IA Global Equity Income. Os gestores Ian Mortimer e Matthew Page atribuem a resiliência à rotação para defensivas e valor: os sobrepesos em Bens de Consumo Essenciais e Industriais foram vento a favor, tal como o subpeso em software. A ausência total de Energia foi o maior travão perante o choque petrolífero do conflito EUA-Irão. A única alteração à carteira foi vender Diageo e comprar RELX, apanhada na 'SaaS-pocalypse'. O rendimento de dividendos fechou em 2,0%.

Stance macro

Tilt Balanceado

A carta evita apostas macro direccionais e descreve um posicionamento deliberadamente equilibrado: cerca de 45% em empresas defensivas de qualidade (Bens de Consumo Essenciais e Saúde) e cerca de 55% em nomes cíclicos ou de crescimento de qualidade (Industriais, Financeiras, Tecnologias de Informação). O fundo mantém alocação nula a Energia, Serviços Públicos, Materiais e Imobiliário, e evita bancos dentro das Financeiras. Os gestores sinalizam o risco de estagflação decorrente do choque energético, mas mantêm a disciplina de qualidade e o foco em dividendos crescentes em vez de reagir taticamente ao ambiente.

Temas

O mercado rodou para 'HALO' (Heavy Assets, Low Obsolescence) e acções da 'economia física' com imunidade natural à disrupção por IA. Os gestores beneficiam via sobrepesos defensivos e industriais, e argumentam que RELX e Publicis, apesar de apanhadas na venda, são mais prováveis beneficiárias do que vítimas da IA, graças a dados proprietários e efeitos de rede.

  • Empresas de 'economia física' como refúgio face à disrupção tecnológica
  • Dados proprietários e efeitos de rede como fosso contra a IA (RELX, Publicis)

O índice de software caiu mais de 20% no ano perante receios de disrupção por IA — risco de desenvolvimento interno, concorrência de startups nativas de IA e ameaça ao modelo de preço por utilizador. Os gestores veem a reacção exagerada: a IA dificilmente destrói o software de forma uniforme, redistribuindo antes valor na pilha tecnológica, com incumbentes a manter fossos por dados, workflows e custos de troca.

  • Preço por utilizador ameaçado por agentes de IA autónomos
  • Incumbentes defendem-se via integração, dados proprietários e compliance

O encerramento efectivo do Estreito de Ormuz, por onde flui cerca de um quinto do petróleo e GNL mundiais, fez o Brent saltar de 72 para 118 dólares e disparar os custos de frete e o gás europeu. O fundo tem exposição nula a Energia, pelo que a ausência foi o maior travão relativo, ainda que os mercados vejam a disrupção como mais temporária do que permanente.

  • Ormuz e o risco de estagflação por inflação de custos energéticos
  • Divergência entre Brent à vista (+63%) e futuros de Dezembro (+16%)

Os semicondutores foram grandes beneficiários da construção de centros de dados, com a memória (Micron, SK Hynix, Sandisk) em destaque, enquanto o software é visto como potencial vítima. A Texas Instruments do fundo sinalizou recuperação cíclica, com receitas de centros de dados a crescer cerca de 70% no ano e sinais de estabilização em industrial e automóvel.

  • Memória de alta largura de banda como ponto brilhante do ciclo
  • Recuperação cíclica em analógico e processamento embebido (Texas Instruments)

Os hyperscalers correm para trazer capacidade de computação online, com a Microsoft a guiar crescimento de capex acima dos níveis já elevados de FY25 e 72 mil milhões de dólares aplicados só no primeiro semestre. A procura excede a oferta, mas o fluxo de caixa livre destas empresas caiu e as margens comprimiram perante o custo crescente de infra-estrutura.

  • Procura de computação a exceder a oferta apesar de nova capacidade
  • Compressão de margens e fluxo de caixa livre nos hyperscalers

Antes da guerra, os mercados implicavam cerca de dois cortes de 25 pontos base nos EUA em 2026; no fim do mês estavam perto de zero, e na Europa chegaram a implicar três subidas. Com a taxa a 10 anos dos EUA a subir para 4,30% e o ouro a falhar como refúgio, o fundo assinala a estreita margem dos bancos centrais perante a inflação de custos energéticos.

  • Divergência entre inflação implícita e estabilidade da bilhete do Tesouro a 3 meses
  • Estagflação como cenário central após o choque energético

Todas as acções das Magnificent Seven ficaram aquém do MSCI World, com os investidores a rodar para fora das mega-caps norte-americanas e nomes expostos à IA, e a favor de valor, defensivas e mercados internacionais. O subpeso do fundo às mega-caps e a diversificação geográfica (57% EUA vs 74% do índice) foram vento a favor no trimestre.

  • Rotação de mega-caps norte-americanas para acções internacionais e de valor
  • Diversificação geográfica do fundo (57% EUA, 36% Europa, 6% Ásia-Pacífico)

Os gestores aproveitaram a venda indiscriminada de software e serviços para iniciar RELX, que estava na watchlist há algum tempo. A cotação caíra 31,1% em GBP no mês seguinte ao lançamento da ferramenta jurídica da Anthropic, e o rácio preço-lucros futuro comprimiu de 22,4x para 14,4x, o que os gestores consideraram uma oportunidade rara para comprar a valorização atractiva.

  • Vendas exageradas na 'SaaS-pocalypse' como fonte de oportunidade
  • Processo um-a-entrar-um-a-sair (Diageo por RELX)

Posições

REL bullish conv. core nova posição
RELX
Stalwart

RELX foi comprada em Fevereiro, substituindo Diageo. Fornecedora de análise e ferramentas de decisão para os sectores jurídico, seguros, ciência e financeiro, foi apanhada na 'SaaS-pocalypse' e desvalorizou fortemente após o lançamento da ferramenta jurídica da Anthropic. Os gestores consideram a venda exagerada: as bases de dados contributivas e os efeitos de rede tornam o conteúdo dificilmente replicável por IA, e a parceria recente com a Anthropic reforça a tese de beneficiária, não vítima.

DGE bearish conv. core sair
Diageo
Stalwart

Diageo foi vendida no trimestre, a única saída. A tese original assentava na premiumização como vento estrutural — 'beber melhor, não mais' —, mas o consumidor enfraquecido levou à troca para baixo, penalizando o foco premium sobretudo nos EUA. A gestão sinalizou uma viragem para diversificar além do premium e cortou significativamente o dividendo para ganhar flexibilidade financeira. Estas medidas contradizem a tese de crescimento em que os gestores investiram, motivando a venda.

JNJ neutral conv. top manter
Johnson & Johnson
Stalwart

Johnson & Johnson foi o melhor título do trimestre (+18,7%), com o mercado a ganhar confiança na substituição das receitas do Stelara, cuja perda de exclusividade gerou biosimilares em 2025. O crescimento orgânico acelerou para 7,9% no quarto trimestre, com Tremfya e Darzalex a compensar quase totalmente a quebra do Stelara. Negócio de saúde de elevada qualidade, com liderança em farmacêutica e dispositivos médicos, base diversificada, pipeline forte e fosso económico amplo.

TXN neutral conv. core manter
Texas Instruments
Cyclical

Texas Instruments esteve entre os melhores títulos (+12,6%), com resultados a sinalizar a recuperação dos mercados finais após uma travessia cíclica. As receitas cresceram 10% no quarto trimestre, com o segmento de centros de dados a subir cerca de 70% no ano. A aquisição da Silicon Labs por 7,5 mil milhões de dólares reforça as capacidades embebidas. Semicondutora de qualidade em analógico e processamento embebido, com recuperação esperada à medida que a intensidade de capital abranda.

MSFT neutral conv. core manter
Microsoft
Stalwart

Microsoft foi o pior título do trimestre (−23,3%), penalizado após a Azure ficar aquém de expectativas elevadas, crescendo ainda +38% em termos homólogos. Os gestores veem a reacção exagerada: a carteira de encomendas subiu 110% e 28% mesmo excluindo a OpenAI. A empresa mantém um balanço sólido e constrói um fosso competitivo em IA, com a Azure entre as duas plataformas hyperscale dominantes e progressos no silício próprio (chip Maia 200).

PUB.PA neutral conv. core manter
Publicis
Stalwart

Publicis foi o segundo pior título (−21,4%), a combater a narrativa de que a IA vai desintermediar as suas agências criativas e de compra de media. Os gestores discordam: a oferta assente nos 'Core IDs' proprietários, que seguem hábitos de mais de 300 milhões de pessoas, permitiu ganhos de quota e mais de 8 mil milhões em novos contratos. A negociar a 10x lucros futuros e cerca de 5% de rendimento, é vista como potencial vencedora da IA.

DB1 neutral conv. core manter
Deutsche Boerse
Stalwart

A Deutsche Boerse foi um contribuidor de relevo (+10,1%). Dentro de Financeiras, os gestores evitam bancos e detêm antes grupos de bolsas como a Deutsche Boerse, que beneficiam de períodos de volatilidade de mercado — os volumes tendem a aumentar, elevando as receitas. Título de qualidade que amortece a ciclicalidade da exposição financeira do fundo e reforça o perfil equilibrado entre defensivo e crescimento da carteira.

CME neutral conv. core manter
CME Group
Stalwart

O CME Group integra a exposição a bolsas dentro de Financeiras, ao lado da Deutsche Boerse. Os gestores preferem estes grupos de bolsas a bancos porque prosperam em fases de volatilidade, quando o aumento dos volumes de transacção se traduz em receitas mais altas. A ausência de bancos reduz a ciclicalidade das Financeiras do fundo, mantendo o foco em negócios de qualidade com balanços sólidos e histórico de resiliência.

Citações

AI raises the bar for secure updates, telemetry-driven improvement, and shared controls – all strengths of mature SaaS. AI agents don’t replace enterprise software. They rely on it.

"A IA eleva a fasquia para actualizações seguras, melhoria orientada por telemetria e controlos partilhados — tudo pontos fortes do SaaS maduro. Os agentes de IA não substituem o software empresarial. Dependem dele."

Guinness Global Equity Income Fund · Q1 2026

Companies like Anthropic look to the partnership with us because at the end of the day, they see and understand that this is a business that comes with a lot of liability and LLMs can't just create the platform that we've created overnight.

"Empresas como a Anthropic procuram a parceria connosco porque, ao fim ao cabo, percebem que este é um negócio com muita responsabilidade e que os LLM não conseguem criar de um dia para o outro a plataforma que criámos."

Guinness Global Equity Income Fund · Q1 2026

You need AI plus workflows because AI is probabilistic, which by definition means we can't be certain about the results. … AI doesn't replace enterprise orchestration. It depends on it. It depends on governance; it depends on scale.

"É preciso IA mais workflows porque a IA é probabilística, o que por definição significa que não podemos ter certeza sobre os resultados. … A IA não substitui a orquestração empresarial. Depende dela. Depende de governação; depende de escala."

Guinness Global Equity Income Fund · Q1 2026

AI is a tailwind here, too, as more data consumption drives more insights, leading to more trading volumes and evergrowing demand for risk management. So, our positioning is strong, and our strategy is working.

"A IA é também um vento a favor aqui, pois mais consumo de dados gera mais insights, levando a mais volumes de transacção e a uma procura sempre crescente de gestão de risco. Por isso, o nosso posicionamento é forte e a nossa estratégia está a resultar."

Guinness Global Equity Income Fund · Q1 2026

And if there is a SaaSpocalypse, I think it might be being eaten by the SaaSquatch [a play on Sasquatch, a mythical creature also known as Bigfoot] because there are a lot of companies using a lot of SaaS because SaaS just got a lot better with Agents as a Service.

"E se houver uma SaaSpocalypse, penso que talvez esteja a ser devorada pelo SaaSquatch [um trocadilho com Sasquatch, criatura mítica também conhecida como Pé Grande] porque há muitas empresas a usar muito SaaS, já que o SaaS ficou muito melhor com os Agentes enquanto Serviço."

Guinness Global Equity Income Fund · Q1 2026

demand continues to exceed available supply … even as we brought more capacity online

"a procura continua a exceder a oferta disponível … mesmo à medida que trouxemos mais capacidade online"

Guinness Global Equity Income Fund · Q1 2026

Performance

Retornos

T1 2026 (Classe Y Dis, GBP)
-0,50%
YTD
-0,50%
Base
net

Benchmark

MSCI World Index (GBP)

Período
-1,70%
YTD
-1,70%

Contribuidores

Top contributors: JNJ, TXN, DB1
Top detractors: MSFT, PUB.PA, RKT, ULVR, PAYX, OTIS

Attribution

A superação do índice deveu-se à rotação para áreas defensivas e de valor. Os dois maiores sobrepesos sectoriais — Bens de Consumo Essenciais e Industriais — superaram o índice com retornos positivos, o maior vento a favor. Os dois maiores subpesos — Tecnologias de Informação e Consumo Discricionário — foram os sectores mais fracos, sendo o subpeso ao software particularmente benéfico. O maior travão foi a alocação nula a Energia, Serviços Públicos e Materiais, os três melhores sectores. A selecção de títulos foi positiva: Texas Instruments (+12,6%), Deutsche Boerse (+10,1%) e Johnson & Johnson (+18,7%) mais do que compensaram Reckitt Benckiser (−17,0%), Unilever (−14,5%), Paychex (−17,0%) e Otis (−11,3%).

Portfólio

Position count long
35

Sector tilts

  • Consumo base · overweight (significant) — Maior sobrepeso do fundo; nomes defensivos de qualidade que superaram o índice na rotação do trimestre, apesar de laggards como Reckitt Benckiser e Unilever
  • Industriais · overweight (significant) — Segundo maior sobrepeso, enquadrado como exposição 'HALO' (activos pesados, baixa obsolescência) com imunidade natural à disrupção por IA; reforçado com a compra de RELX
  • Tecnologia · underweight (significant) — Subpeso, sobretudo ao software, o sector mais fraco do trimestre; a exposição concentra-se em nomes de qualidade como Texas Instruments e Microsoft
  • Consumo discric. · underweight (modest) — Subpeso a um dos sectores mais fracos do trimestre, contribuindo positivamente para o retorno relativo
  • Energia · underweight (significant) — Alocação nula a Energia, Serviços Públicos, Materiais e Imobiliário; a ausência de Energia foi o maior travão ao retorno relativo perante o choque petrolífero