Madison Sustainable Equity Strategy

Q1 2025 · 2566 palavras · 31 Mar 2025 · Commentary

Resumo editorial

A estratégia Madison Sustainable Equity recuou 3,32% (bruto) no primeiro trimestre de 2025, contra a queda de 4,27% do S&P 500, com alocação sectorial e selecção de títulos ambas positivas. Progressive, Eli Lilly, Visa, Linde e Costco lideraram os contributors; Alphabet, Oracle, Agilent, Accenture e U.S. Bancorp foram os maiores detractors. A gestora vendeu a posição remanescente em UPS, receando a disrupção causada pela estratégia de reduzir volume de menor margem da Amazon. As tarifas dominam a leitura macro: estimativas de lucros em revisão em baixa, PIB a desacelerar e Fed em pausa. Sem exposição a Energia e Imobiliário, e com a Saúde como maior overweight, a equipa promete capitalizar a volatilidade para reforçar empresas duráveis de alta qualidade.

Stance macro

Risk Risk-off Fed Neutral Ciclo Late cycle Tilt Defensivos sobrepeso

Postura claramente defensiva e explicitamente mais cautelosa após o anúncio tarifário de 2 de Abril: a gestora antecipa que os investidores adoptem uma posição ainda mais cautelosa face às acções e afirma manter "uma postura significativamente mais cautelosa" dado o panorama macro amplificado pelas novas tarifas. Ciclo em desaceleração — PIB real do primeiro semestre entre 1,2% e 1,5%, possivelmente o suficiente para evitar recessão, com o ano completo abaixo de 2%; Core PCE elevado em 2,7% e desemprego a poder superar 4,3%. Fed em pausa em 4,25%-4,5%, "sem pressa" de ajustar, com a mediana ainda a projectar 3,9% no fim de 2025 — a gestora lê a política monetária como em compasso de espera perante a incerteza. Inclinação defensiva estrutural: Saúde como maior overweight pela natureza defensiva, exclusão de Energia e Imobiliário, e foco em balanços fortes e avaliações razoáveis como fonte de resiliência.

Temas

As tarifas são identificadas como o principal factor do desempenho negativo do mercado no trimestre, erodindo a confiança de empresas e consumidores e cortando estimativas de lucros do primeiro e segundo trimestres em 2-3%. O anúncio de 2 de Abril agrava o quadro: as revisões negativas passam a reflectir menor consumo e custos acrescidos para as empresas, o crescimento de lucros de ~10% previsto para 2025 fica sob escrutínio, e a gestora passa a manter uma postura significativamente mais cautelosa, antecipando reavaliação das estimativas com a época de resultados do primeiro trimestre. Ao nível das posições, o U.S. Bancorp vigia o impacto potencial das tarifas e a venda de UPS soma o pano de fundo macro incerto à tese de saída.

  • Estimativas de lucros T1/T2 revistas em baixa 2-3%, ano completo 1-2%
  • Anúncio de 2 de Abril a amplificar a incerteza e as revisões negativas
  • Inflação mantida elevada pelas tarifas (Core PCE 2,7% previsto para 2025)
  • Confiança de empresas e consumidores erodida como canal de transmissão

A gestora relata a decisão de Março de manter a taxa directora em 4,25%-4,5%, com o Fed a comunicar que não tem pressa de ajustar a política e que aguardará maior clareza dos dados. O Summary of Economic Projections mantém a mediana em 3,9% no fim de 2025 e 3,4% no fim de 2026. A leitura é de compasso de espera: o próprio Fed reconhece incerteza considerável, alimentada pelas mudanças de política comercial, de imigração, orçamental e regulatória. Nas perspectivas, a gestora nota que o Fed enfrentará pressão acrescida para responder em simultâneo à inflação e às consequências económicas das tarifas — sem tomar posição direccional própria sobre o caminho das taxas.

  • Taxa mantida em 4,25%-4,5% na reunião de Março
  • Mediana das projecções em 3,9% (2025) e 3,4% (2026), inalterada
  • Yield curve 2-10 anos desceu 40-50 pontos base no início do ano
  • Fed sob pressão dupla de inflação e fallout económico das tarifas

A actividade e a linguagem do trimestre reflectem a filosofia de negócios de alta qualidade com crescimento durável. A única transacção divulgada é a venda da posição remanescente em UPS — a estratégia da empresa de reduzir proactivamente volume de menor margem do seu maior cliente, a Amazon, ameaça disrupção adicional num pano de fundo macro incerto. Do lado dos compounders, a Linde é elogiada pelo historial forte de criação de valor accionista assente em alocação de capital disciplinada, a Progressive pela liderança em segmentação e precisão de sinistros, e a Costco pelo modelo diferenciado de alta rotação. O compromisso de capitalizar a volatilidade para reforçar empresas duráveis a avaliações mais atractivas fecha a carta.

  • Venda de UPS por disrupção auto-infligida da estratégia de volume
  • Linde como referência de alocação de capital disciplinada
  • Foco em balanços fortes e avaliações razoáveis como resiliência

Apesar da cautela macro, a gestora vê o copo meio cheio nas avaliações: acredita que estão a tornar-se mais atractivas com o recuo recente do mercado, embora o forward multiple do S&P 500 permaneça elevado face aos últimos vinte anos. O compromisso explícito é capitalizar a volatilidade do mercado para aumentar posições em empresas de alta qualidade e crescimento durável que se tornem mais atractivamente avaliadas — disciplina de comprador paciente em correcção, ancorada na confiança histórica na capacidade de adaptação das empresas americanas.

  • Avaliações mais atractivas com o recuo, mas múltiplo ainda elevado
  • Capacidade histórica de adaptação das empresas americanas como mitigante

A carta documenta os dois lados do ciclo de capex de IA sem tomar posição direccional. Na Oracle, o OCI soma 48 mil milhões de dólares de bookings no trimestre para um backlog de 130 mil milhões — procura futura forte —, mas a receita não acompanha por atrasos na construção de capacidade de data centers. Na Alphabet, a previsão de 75 mil milhões de capex para 2025 (contra 52 mil milhões em 2024) acelera depreciações e, com o crescimento de headcount em IA e Cloud, pressiona a rentabilidade — os investidores reagiram negativamente. O GenAI aparece ainda como motor comercial na Accenture, com bookings de 1,4 mil milhões.

  • Backlog OCI de 130 mil milhões com atrasos de capacidade a travar receita
  • Capex de 75 mil milhões da Alphabet a comprimir margens via depreciação
  • GenAI como motor de bookings na Accenture (1,4 mil milhões)

Duas posições sofrem com a reorientação dos gastos federais americanos. Na Accenture, o escrutínio acrescido dos contratos federais pelas iniciativas DOGE trava novas adjudicações num sector que representa cerca de 8% das vendas, com a empresa a esperar incerteza continuada à medida que as prioridades do governo evoluem — mitigada pelos ganhos de quota face aos concorrentes globais e pelo book-to-bill de 1,3 vezes. Na Agilent, o abrandamento antecipado dos gastos do governo federal pesa no segmento de Academia & Governo (-7%) e alarga o intervalo das projecções. A gestora mantém ambas as posições, registando a pressão sem articular tese de saída.

  • DOGE a travar adjudicações federais da Accenture (~8% das vendas)
  • Cortes de gastos públicos a pesar no segmento Academia & Governo da Agilent

Posições

PGR neutral conv. core manter
Progressive Corporation
Stalwart

Seguradora com crescimento de apólices líder da indústria e margens de underwriting acima do esperado. As receitas cresceram 22% em Dezembro de 2024 e os prémios líquidos 21% no ano, com combined ratio de 88,8%. Ganha quota com segmentação líder, precisão de claims e preços competitivos — o tratamento rigoroso de sinistros sustenta o pricing.

LLY neutral conv. core manter
Eli Lilly and Company
Fast Grower

Pré-anunciou resultados do quarto trimestre em Janeiro com previsão de receitas de 58 a 61 mil milhões de dólares para 2025, em linha com o consenso, e EPS no ponto médio de 23,25 dólares — visto como conservador, com margem para revisões em alta. As acções subiram também com a expectativa de dados do orforglipron, comprimido oral diário para perda de peso.

V neutral conv. core manter
Visa Inc. Class A
Stalwart

Primeiro trimestre fiscal forte: receita líquida +10%, EPS +14%, volume de pagamentos +9% (acima dos 8% do trimestre anterior), serviços de valor acrescentado +18% e volume cross-border +16%, impulsionado por e-commerce e viagens. A Visa elevou as perspectivas anuais de receita para low double-digits e de EPS para low teens.

LIN neutral conv. core manter
Linde plc
Stalwart

Resultados mistos no quarto trimestre, mas previsão de EPS para 2025 de 8% a 11% de crescimento excluindo câmbio. Volumes e vendas estáveis, com lucro operacional +9% e EPS +11%, sustentados por preço, controlo de custos e produtividade. Historial forte de criação de valor com alocação de capital disciplinada; mais de 40% da energia consumida em 2024 era de baixo carbono.

COST neutral conv. core manter
Costco Wholesale Corporation
Stalwart

Continua a ganhar quota de mercado com o foco em ser o líder de preço baixo e o modelo diferenciado de alta rotação e SKUs limitados. Segundo trimestre fiscal forte: comparáveis EUA +8,6% excluindo deflação de gasolina, e-commerce +22,2%, membros pagantes +6,8% e taxas de renovação de 93%. Planeia 27 novas aberturas no resto do ano fiscal.

GOOG neutral conv. core manter
Alphabet Inc. Class C
Fast Grower

Quarto trimestre forte — publicidade de Search +13% para 54 mil milhões de dólares, YouTube +14%, Google Cloud +30% e EBIT GAAP +31%. A gestão sinalizou contudo headwinds para 2025: comparações difíceis em verticais de Search, capex de 75 mil milhões (contra 52 mil milhões em 2024) a acelerar depreciações, e crescimento de headcount em IA e Cloud. Os investidores reagiram negativamente a estes sinais.

ORCL neutral conv. core manter
Oracle Corporation
Stalwart

O negócio de Oracle Cloud Infrastructure continua a progredir com crescimento robusto de bookings: o backlog aumentou 48 mil milhões de dólares no trimestre fiscal, para 130 mil milhões, sinal de procura futura forte. A receita não cresce ao mesmo ritmo, reflectindo atrasos na construção de capacidade de data centers, que a empresa espera ver aliviados em breve.

A neutral conv. core manter
Agilent Technologies Inc.
Stalwart

Resultados do primeiro trimestre fiscal ligeiramente acima do consenso, mas crescimento orgânico ainda contido (+1,2%) e previsões amplas a reflectir a incerteza dos gastos federais americanos. Pharma estável, com a China em queda; Academia & Governo -7%. Soluções PFAS +70% e book-to-bill acima de 1,0 nos instrumentos sugerem tendência positiva nas condições de mercado.

ACN neutral conv. core manter
Accenture plc Class A
Stalwart

Fraqueza accionista resultante do maior escrutínio dos contratos federais pelas iniciativas DOGE e da incerteza global acrescida. O sector federal representa cerca de 8% das vendas e regista abrandamento de novas adjudicações. Em sentido positivo, a empresa está a ganhar quota aos concorrentes globais cotados, com bookings de GenAI de 1,4 mil milhões de dólares e book-to-bill de 1,3 vezes.

USB neutral conv. core manter
U.S. Bancorp
Slow Grower

Pressionado, como os pares, pela queda dos índices de confiança de CEOs e consumidores e pelas projecções da Fed de economia em abrandamento com inflação persistente. O crescimento do crédito permanece contido e a concorrência por depósitos e pagamentos é elevada. Atravessa a volatilidade focado em construir capital — 20 a 25 pontos base por trimestre — e em devolver capital via buybacks.

UPS bearish conv. em observação sair
United Parcel Service Inc. Class B
Slow Grower

Posição remanescente vendida no trimestre. A gestora receia que a estratégia de reduzir proactivamente volume de menor margem do maior cliente, a Amazon, cause disrupção adicional ao negócio, somada a um pano de fundo macroeconómico incerto para a economia americana. A venda reduz também a exposição ao sector Industrial.

ECL neutral conv. core manter
Ecolab Inc.
Stalwart

Reiterou numa conferência global de agricultura o foco em sustentabilidade: proteger a saúde das pessoas e do planeta. Os produtos protegem contra infecções em espaços públicos e em toda a cadeia alimentar, e permitem aos clientes operar eficientemente com uso mínimo de água — clientes recorrem à Ecolab para atingir as suas metas de sustentabilidade.

MSFT neutral conv. top manter
Microsoft Corporation

Maior posição do modelo (7,3%) divulgada no fact sheet anexo; a carta não comenta a posição neste trimestre.

AAPL neutral conv. core manter
Apple Inc.

Posição top-10 (4,6%) divulgada no fact sheet anexo; a carta não comenta a posição neste trimestre.

AMZN neutral conv. core manter
Amazon.com, Inc.

Posição top-10 (4,2%) divulgada no fact sheet anexo; a carta não a comenta directamente, embora refira a Amazon como maior cliente da UPS.

NEE neutral conv. core manter
NextEra Energy, Inc.

Posição top-10 (3,9%) divulgada no fact sheet anexo e única utility entre as dez maiores; a carta não comenta a posição neste trimestre.

JPM neutral conv. core manter
JPMorgan Chase & Co.

Posição top-10 (3,7%) divulgada no fact sheet anexo; a carta não comenta a posição neste trimestre.

Citações

The primary factor influencing this negative performance was the impact of tariffs, which eroded business and consumer confidence.

"O principal factor a influenciar este desempenho negativo foi o impacto das tarifas, que erodiu a confiança das empresas e dos consumidores."

Madison Sustainable Equity Strategy · Q1 2025

Progressive is gaining share versus its competitors with industry leading segmentation, claims accuracy, and competitive pricing.

"A Progressive está a ganhar quota face aos concorrentes com segmentação líder da indústria, precisão nos sinistros e preços competitivos."

Madison Sustainable Equity Strategy · Q1 2025

We are concerned that the company’s strategy of proactively reducing lower margin volume from its biggest customer, Amazon, will cause additional disruption to the business on top of an uncertain macroeconomic backdrop for the U.S. economy.

"Estamos preocupados que a estratégia da empresa de reduzir proactivamente volume de menor margem do seu maior cliente, a Amazon, cause disrupção adicional ao negócio, somada a um pano de fundo macroeconómico incerto para a economia americana."

Madison Sustainable Equity Strategy · Q1 2025

We do believe valuations are becoming more attractive given the recent pullback, but we now maintain a significantly more cautious stance given the amplified uncertain macro outlook resulting from the new tariffs.

"Acreditamos que as avaliações estão a tornar-se mais atractivas dado o recuo recente, mas mantemos agora uma postura significativamente mais cautelosa dado o panorama macro incerto amplificado que resulta das novas tarifas."

Madison Sustainable Equity Strategy · Q1 2025

Our largest overweight is in the Health Care sector, attracted by its defensive nature and the growth potential of our holdings.

"O nosso maior overweight é no sector da Saúde, atraídos pela sua natureza defensiva e pelo potencial de crescimento das nossas posições."

Madison Sustainable Equity Strategy · Q1 2025

We will capitalize on market volatility to increase our positions in high-quality, durable growth companies that become more attractively valued.

"Vamos capitalizar a volatilidade do mercado para aumentar as nossas posições em empresas de alta qualidade e crescimento durável que se tornem mais atractivamente avaliadas."

Madison Sustainable Equity Strategy · Q1 2025

Performance

Retornos

T1 2025 (composite SMA, pure gross, conforme tabela do fact sheet)
-3,32%
YTD
-3,32%
Desde início
+10,83%
Base
gross
CAGR desde inception
+10,83%

Benchmark

S&P 500 Index

Período
-4,27%
YTD
-4,27%

Track record anual

Período Fundo Benchmark
1 ano (pure gross) +5,56% +8,26%
3 anos anualizado (pure gross) +6,93% +9,07%
5 anos anualizado (pure gross) +16,17% +18,59%
10 anos anualizado (pure gross) +12,03% +12,50%
since inception 31/03/2008 anualizado (pure gross) +10,83% +11,03%

Contribuidores

Top contributors: PGR, LLY, V, LIN, COST
Top detractors: GOOG, ORCL, A, ACN, USB

Attribution

A estratégia recuou 3,32% (bruto) contra -4,27% do S&P 500 — alocação sectorial e selecção de títulos ambas positivas. Na alocação, ajudaram os overweights a Saúde, Financeiras e Materiais e o underweight a Consumo Discricionário; os underweights a Energia, Industriais e Imobiliário foram headwinds. Na selecção, destaque positivo em Tecnologia, Consumo Discricionário e Materiais; negativo em Serviços de Comunicação, Saúde e Utilities. Energia, Saúde e Consumo Básico foram os sectores mais fortes do mercado no trimestre; Tecnologia, Consumo Discricionário e Serviços de Comunicação os mais fracos. Top contributors: Progressive, Eli Lilly, Visa, Linde e Costco. Maiores detractors: Alphabet, Oracle, Agilent, Accenture e U.S. Bancorp.

Portfólio

Cash
1,7%
Top 10 concentração
51,0%
Top 5 concentração
30,8%
Position count long
31

Sector tilts

  • Saúde · overweight (significant) — Maior overweight da carteira (16,1% vs 11,2%) — atraídos pela natureza defensiva e pelo potencial de crescimento das posições (Eli Lilly, Agilent, Elevance ausente — referência da gestora ao sector como âncora defensiva)
  • Financeiras · overweight (significant) — 18,7% vs 14,7% benchmark — Progressive, Visa, U.S. Bancorp e JPMorgan entre as posições divulgadas; alocação positiva para o desempenho relativo do trimestre
  • Materiais · overweight (significant) — 5,5% vs 2,0% benchmark — Linde e Ecolab; contributo positivo de alocação e de selecção no trimestre
  • Industriais · underweight (significant) — 3,2% vs 8,5% benchmark — underweight reforçado com a venda da posição remanescente em UPS; foi headwind de alocação no trimestre
  • Energia · underweight (significant) — Zero exposição vs 3,7% benchmark — sector excluído por preocupações com a volatilidade dos preços das commodities; headwind num trimestre em que Energia foi o sector mais forte
  • Imobiliário · underweight (significant) — Zero exposição vs 2,3% benchmark — sector excluído por preocupações com a sensibilidade a taxas de juro
  • Consumo discric. · underweight (slight) — 9,4% vs 10,3% benchmark — underweight que contribuiu positivamente para a alocação no trimestre